terça-feira, 26 de abril de 2011

Para tudo!

Como é que é? Ah... casamento do príncipe e da plebeia.
E... o que é que tem isso?
Fiquei enjoada com o que vi ontem, na televisão. A repercussão do casamento de dois estranhos, conhecidos na mídia apenas porque o rapaz é filho de um príncipe, da Inglaterra, conhecido por escândalos na vida conjugal e amorosa, e que é de família Real (o que isso significa, mesmo? - juro que não entendo). Mas... o que eles SÃO de verdade? Além de ele ser príncipe (não sei o que isso me diz), e ela noiva dele, o que são, quem são? Ninguém sabe. Ninguém quer saber. Só são fãs. Fãs do quê????????????? Por quê??????? Só por que nasceram ricos e bonitos?
Essa coisa de monarquia me dá náuseas. De "sangue azul", de nobreza. Nobreza para mim é outra coisa...
A matéria falava: Será que a noiva vai se atrasar? Princesa Diana também se atrasou... 30 segundos.
E o que isso tem de relevância na vida?
Fico chocada quando as pessoas se revelam fãs de pessoas apenas porque são bonitas. Aí saem nas ruas e têm a coragem de pedir autógrafo de alguém só porque essa pessoa nasceu bela fisicamente. Como assim??????????? Juro que não consigo entender. É mais forte do que eu... muito mais!
Povinho desgraçado esse. Me dá vergonha. Quanta pobreza.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Recomeçar


Ao amanhecer de um novo dia, é hora de recomeçar. Imaginar que posso recomeçar tudo de novo, construir algo novo, fazer tudo novo... e que tudo pode ser bom, e quem sabe, maravilhoso. é ou não é fascinante?!
E... só depende de... mim?

sexta-feira, 11 de março de 2011

Por onde seguir

Há um momento na vida em que temos a razão e a emoção em cada mão. De um lado, a razão, da mente, inteligente. Do outro o nada racional, e puramente emocional coração. Dois caminhos para abraçar. Duas fontes próprias, naturais, para apoiar-se. É necessária uma decisão. E somente tu poderá resolver. Ninguém ou nada poderá te proteger do que terás que escolher. Terás que tomar posse do rumo decidido. É teu, de ninguém mais.
Junto, o medo vai enfraquecendo as pernas. Fazendo as pegadas mais apagadas e o caminhar fraquejante. As esperanças inexistem, e apenas os fatos e sentimentos dominam o campo. Não há lugar também para pressa. Ela pode fazer a dor aumentar. Ou fomentar uma decisão precipitada, e incorreta.
Na vida de um homem não somente uma vez ele se encontrará atordoadamente perdido em si mesmo. E não há como aprender com as experiências iniciantes. Cada dor tem um sabor. Assim como a felicidade, como os amores.
Então, quando em um destes momentos, levantei normalmente, separei o lixo, o levei para a rua, levei os cachorros para passear, dei comida aos gatos, tomei banho, arrumei-me, ajeitei minhas coisas e saí para trabalhar. Caminhei e deixei o vento bater. Sofri. Pensei: O tempo vai dizer o que fazer.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Tarde de possibilidades ocultas

Hoje a tarde é de sol, embora as núvens por segundos o cubram. Um vento soave anuncia a próxima estação a chegar.
Um tédio mortal me toma inteira. O corpo inerte, mas a mente cavalga campos afora. Voa, para o futuro, para o passado.
A vida aqui, me tocando com o vento, no meu rosto. Com o balançar das árvores. O perfume das rosas. O canto dos passarinhos. O céu azulado, nublado. A chuva. As canções. Tudo que há de mais natural. Estou viva. Sou vida.
Estou no meu melhor momento, pois este momento, agora, é totalmente meu. Estou livre para fazer o meu amanhã. Que será meu presente, e meu passado. Portanto, estou com minha vida em mãos. No rumo da minha estrada. E posso virar à esquerda, à direita, recuar, avançar. Posso inventar, improvisar. Quem guia sou eu. Estou no volante. Estou no comando.
Embora me sinta à bordo de um navio sem timão. Sem direção. Navegando em mares infinitos e águas geladas. Sabendo que só verei muito além de hoje, talvez na velhice, se ela me vier, as tantas oportunidades à minha frente. Tantas e tão claras, estendendo suas mãos no ramo das esperanças.
Triste saber que só as verei quando não mais as terei. Saber que olharei para meu passado e verei a vida cheia de possibilidades que vivia. E que agora me são ocultas.
Por que não as enxergo? Por que me sinto cega a tudo de bom que posso tocar? Que posso fazer? Hoje. Neste exato momento que... passou.
Ainda sem saber qual rumo tomo, permaneço impressionada em como uma tarde pode ser infinitamente longa e uma vida toda, tão rápida e efêmera.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Inútil tentativa de fuga

Era quase manhã, quando subi na aeronave. Lindo ver o nascer do sol lá do céu. Parecia filme. Mas era eu ali, apreciando um dos momentos mais sublimes da terra, em talvez a melhor hora que exista. Adormeci. Em paz, mesmo estando tão distante do chão.

Minha ida a Belo Horizonte é apenas um final de semana “alongado”. Mas é o “viajar” que me importa.

Depois de aterrissar, pés no chão, olhos na realidade. E, em BH, essa realidade vem acompanhada de um ventinho sutil, uma brisa, que me marcou desde que fui para lá pela primeira vez.

Lá, tenho a sensação de que fui engolida por algo simplesmente gigantesco. Sinto-me uma formiguinha, em meio a outras, sob aquele solzão. Novamente, estava eu lá.

Pessoas e coisas distintas aos meus olhos. Ar diferente, pessoas diferentes – com características fortes: sotaque, gírias, cor e feição.

Na semana da viagem, eu estava muito cansada da minha rotina do trabalho. Da rotina do ir e vir pra casa, depois de trabalhar o resto do dia. Precisava me refugiar em outro lugar, descansar, esquecer que existia fome e dor na terra. Pensar somente em mim, e me divertir como se fosse meu último dia.

Porém, só percebi que o que eu realmente precisava não era de férias. Nem de folga. Mas de uma fuga.

No começo, pensei que conseguira. Fugi do meu estado, da minha cidade, do meu bairro, da minha casa e da família. Mas não de mim. Não há como fugir de si mesmo.

Se estamos sofrendo algum tipo de aflição. Se não estamos de bem com a gente mesmo, não importa para onde formos, tudo vai junto conosco. Para onde for. Não há para onde fugir de nós mesmos.

E aí, então, em pé, na sacada do apartamento da zona norte de BH, que fiquei por muito tempo refletindo sobre isso, foi quando enxerguei que não estava totalmente realizada e feliz. Pois tudo que me afligia estava ali, comigo. Porque não posso fugir da minha realidade. Não por mais tempo que dura um porre. No outro dia, eles estarão todos ali, os problemas, os medos, as angústias, novamente. Só que com mais aquela dorzinha de cabeça indesejável, da cachaça.

O que eu queria, de verdade, naqueles poucos dias em que estive lá era andar nas ruas e não ser reconhecida, ou, melhor dizendo, não avistar nenhum rosto conhecido na multidão; era fingir que ali eu era uma nova pessoa, ausente de todos os meus erros passados; recomeçar – a cada novo amanhecer –, uma nova vida. Fingir que minha casa, e todos que amo não estavam lá para me esperar. Porque eu queria estar livre nem que fosse para morrer.

Estive lá, por alguns dias, e aqui, ao mesmo tempo. Corpo lá, e em algumas vezes, a cabeça aqui, na minha vidinha de todo dia. E em algumas outras vezes, totalmente lá, sem pensar que quando retornasse tudo estaria a me esperar: contas para pagar, trabalho no dia seguinte, os ônibus lotados...

Mas, como todo turista, ou quase todos, amei voltar para minha casa, minhas coisas. Amei deitar sobre minha cama gostosa. Sentir o cheiro do cachorro e do meu travesseiro.

Da viagem, as lembranças dos passeios e das pessoas que dividiram comigo aqueles dias e noites ficarão guardadas em mim. De BH, a recordação visual da cidade de subidas e descidas enormes. De casinhas pequenas com janelas estreitas, de cimento ou de tijolo à vista. Dos telhados e suas caixas d’água. Do colorido das pipas enroladas nos fios elétricos, lúdico e singelo. Simples, como o povo mineiro. Fechado, pouco simpático, a meu ver, mas simples e humilde.

Era o que eu precisava para me entender.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Um palhaço?

Os estrangeiros estão rindo do país que elegeu um palhaço para cuidar dos interesses do povo. Não sei se eles sabem que o Brasil, infelizmente, é um país que elege políticos que fazem da política nacional brasileira um verdadeiro circo.

O mais curioso disso seria o contraste: um palhaço, que faz as pessoas rirem, colorido, divertido, de fala fácil, num ambiente de engravatados, sérios, de falas rebuscadas. Num tom escuro; em preto e branco. O que um palhaço fará lá? Irá de gravata cor vermelha?

O que é mais contraditório, afinal? Um palhaço na Câmara de Deputados, ou políticos vergonhosos, roubando às claras o dinheiro do próprio povo pobre que o elegeu?

E o que seria mais favorável ao povo? Que um palhaço semianalfabeto tenha boas intenções de ajudar ao povo miserável, ou um intelectual diplomado olhando apenas para seu umbigo? Quem seria mais útil a ele?

De fato, agora, rindo mesmo está este palhaço, neste momento, com todo seu 1,3 milhão de votos. Esta é cara dos políticos no Brasil: de palhaço. Só que a diferença é que alguns são mascarados (ocultos), e outros não.

Mas acontece que até mesmo o país do oba-oba tem suas leis. E elas, às vezes, não são cegas. (Só às vezes). E por este motivo, um dos grandes acontecimentos deste ano de 2010 poderá não tomar o rumo correto. E o palhaço talvez fique de fora do espetáculo do circo, ironicamente.

Preconceitos e opiniões à parte, não podemos ignorar quase um milhão e meio de brasileiros que elegeram um palhaço, sem estudo, para lhes representar. O que isso realmente significa? Alguns poderiam dizer que apenas ignorância. Eu diria que ignorantes também são aqueles que continuam votando em quem lhes roubou.

A verdade é que estamos ficando sem opções boas. E sempre a mudança é positiva; ou mesmo a piada, para que possamos, ao menos, enxergarmos as coisas de um outro modo. Ou um modo mais divertido.

Para mim, a experiência e as discussões já valem... além das risadas.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Desistir

Sim, desisti! Não vou me render a disputas pequenas. Não falo mais com quem não me entende. Desisti, também, de tentar fazer-me clara e sensata. Assim, como salvar a verdade, com real intenção de propagar o certo.
Desisto de ser a correta, ao entrar e sair do lado certo da porta do trem. De achar que estou dando o exemplo com meus atos, e que as pesssoas estão olhando como ajo, e aprendendo algo. Porque reparam nas coisas ao seu redor, e tentam melhorar, como eu. Porque querem ser melhores, ou ao menos, mais justos, como eu tento, sempre. E que se espelham em quaisquer coisas vistas ao longo de um dia, enquanto dirigem seus carros para o trabalho, seguram-se firmes nos ônibus, navegam na internet ou conversam numa praça.
Desisti, sem culpa, de acreditar que o homem vale a pena. Quando ligo a televisão e assisto ao circo de horrores que produzem. Desisto de tentar ter esperança, ou de crer em algum deus que me ilumine, para fortalecer minha fraqueza de desistência. Para ser mais corajosa, e mais paciente, e mais persistente. Porque é assim que temos que ser.
Desisti.
Desisti, sem querer, de desistir de ser aquela que me desperta vontade de viver. Que se incomoda com a injustiça, e que não desiste de ser diferente apenas para ser igual. Porque é assim que consigo ser.
Enfim, de tudo, desisti, inclusive de desistir de desistir...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Guerreiros da moeda

Do precário conhecimento que tenho do ‘mundo da sobrevivência’, me basta para ter por ele total antipatia. E dos poucos anos submergida nesse ‘mundo’ – devorador de autenticidade –, já me sinto atolada na lama, a qual jurei, sem credibilidade, em meu pleno castelo de autoafirmação, numa juventude isenta de medo e repleta de planos, mergulhar.

Nessa batalha diária por um lugar ao sol, o que conseguem os incríveis guerreiros da moeda é continuar perto do chão. Pois, apenas não mais basta labutar por vitória, tem-se que confrontar com indivíduos demais que, desesperados pela luminosidade ao final do túnel imundo e fétido, atropelam quem a escada ao alto está a escalar.

Inocentemente, os homens ainda pensam padecer nas nuvens após conseguir pagar todas as contas daquele mês. Adormecerá cantarolando e abrirá os olhos de um novo amanhã debaixo de uma tempestade.

Vestir-se pela manhã gelada de invernos brancos para subir e descer degraus nas ruas, batendo ombros com outros malandros; tropeçando e caindo e levantando para sobreviver do jeito que der ou puder. Desmoralizados e já por si desculpados pelo almejo do empurrão ao mais próximo. A cada queda, difícil se ter compaixão por alguém a não ser de si mesmo. Ignorando e negando, calado, a mentira de assumir falsamente que apiedar-se de si é a coisa mais terrível que existe. Pois quem sente o que sente quando vê-se rastejando à humilhação, sabe que não existe coisa pior do que lamber o sentimento da pena. Tanto, que outros, todos, se apequenam a ele – o sentimento da autopiedade.

É triste o quanto o dinheiro é importante para os homens. Capaz de causar os piores e mais baixos atos e sentimentos. Que fazem matar, roubar, mentir, enganar, tudo por ele... que cria vida toda vez que atormenta uma alma.

O mundo da sobrevivência é cheio de esperanças de sorte. E alguns experimentam beiras de abismos por nela crer – a sorte; raros beijam a face da alegria completa - efêmera.

Existem os que conseguem manterem-se submersos num furioso mar de ‘afogandos’ e afogados. Remando com suas mãos suadas e gananciosas. Burra, toda ela, rendida a uma maquinaria de sofrimento que favorece alguns poucos e esmigalha virtudes riquíssimas e nobres.

Burros? Diriam que não todos aqueles soberbos acerca de suas façanhas. Talvez noites em claro, agonizando em cefaléia ou cólicas de diarréia, travados em uma cadeira dura, sem fraquejar. Construindo, assim, seus palacetes merecedores de seus donos. À contrapartida, tantos quantos o mesmo fazem, e nem sequer vislumbram a ponta do paraíso. Chamaríamos isso de quê? Quer saber... Não importa!

Amanhã os guerreiros da moeda vestir-se-ão para a peleja, com arma ou sem arma punhada.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Me perguntam por que sou vegetariana. E ainda fazem cara de espanto às minhas explicações.

Me perguntam por que sou VEGANA. E ainda fazem cara de que não entendem quando explico.

Sou VEGANA porque repudio todo e qualquer tipo de mal a qualquer espécie, racional ou não, ou com outro tipo de raciocínio, coisas as quais não saibamos.

É isso, nós, SERES HUMANOS, não sabemos e entendemos de TUDO.

A imagem e a música falam tudo o que sinto.

Sinara Dutra

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Monstros

Eu... estava pensando... em como as pessoas se tratam com seus montros. Falo dos monstros que moram dentro de nós. Sim, todos nós temos um monstro habitando em si.
Monstros que são aqueles sentimentos que fazem parar quando se deve seguir. Quando se tem certeza do que se deve e quer fazer, mas não tem coragem. Aquele medo absurdo de apenas ser quem se é e fazer o que se quer. Sem se preocupar com o que os outros vão pensar - embora sempre se preocupe com essa besteira de tamanho maior. Ou aquela insegurança injustificada, que acompanha - afinal, quando serei segura do que sei? Ou às vezes que se é falso, para parecer melhor do que se é, no exato momento em que está sendo terrivelmente feio. Quando se dá de ombros aos outros e se pensa somente em si. Ou quando se julga as pessoas, como se fosse superior a elas. Como se não fosse tão humana quanto elas, e não pecasse por isso.
Os monstrinhos são como pesadelos. As doenças. As dores. Os preconceitos. Falta de senso de justiça. De compaixão. E não adianta dizerem que não têm monstrinhos porque senão terão que dizer que também não são gente de verdade.
O fato é que para acertar, tem que dominar os monstros internos. Ignorar o que eles dizem. Para sentir vergonha na cara, ou menos vergonha de tudo. Para enfrentar com mais força o que impede de algo. Seja o que for.
Mais verdade ainda, mesmo, é que, não tem jeito, os dias passarão e algumas pessoas também passarão, e talvez quando dominarmos os monsttinhos demoníacos, não poderemos recuperar a chance de agora. Para fazermos do jeito nosso. Sem titubear. Afinal, quando estamos mais maduros de tudo, é quando estamos velhos, e também mais perto de morrer. E quando mais temos 'vida pela frente', somos tão ridículos. E deveria ser o contrário. Devíamos nos dar o luxo de sermos idiotas ao envelhecer. E não sermos corretos e sábios. Cheios de moral e caráter. Não existe perfeição - talvez algumas pessoas precisem ouvir isso -, as coisas não são perfeitas. Simplesmente porque sempre pode ser melhor. Mais viável. Mais fácil.
Então, assim que eu amadurecer, e meus cabelos ficarem brancos, meus demônios talvez mudem de estratégia. E me peguem do outro lado do beco, assim que eu achar que os deixei lá atrás de mim.
E aí, estatei velho, sem nem um terço das chances e probabilidades que hoje tenho. Mas mais forte, certamente. E aí olharei com amargura para o que ficou engavetado. E desejarei estar aqui outra vez, para ser diferente, para melhor. E não errar à vez minha. Fazer e ser exatamente aquilo que eu quiser e puder. Lembrando que o "puder" é muito flexível. Porque na maioria das vezes isso só depende de querer.
Mas talvez eu não saiba tão bem disso, agora... ainda.

Sinara Dutra

sábado, 6 de março de 2010

Sobreviverá a dor


Nunca sabemos de tantas pessoas mortas quando adultas. Quando crianças, isso é pouco e, muitas vezes, marcante - geralmente.
Mas é passarmos a ter noção do que é a vida, e começamos a ver gente morrer como pulga em pelo de bicho.
A vida vai se indo à nossas vistas. De nada podemos fazer. Apenas lamentar... lamentar... chorar e odiar a vida - amando estar nela.
Milhares de pessoas morrem todos os dias por causas diversas. Ventiladores em agências bancárias caem e matam clientes (ridículo, sua vida acabar assim). O caso pode ser mais profundo, uma doença incurável, daquelas que se sabe o quanto tempo se tem de vida. As despedidas com a famíila, os últimos olhares para o quintal, para o cachorro - que parece tudo entender. Foda-se, acidentais ou não, assim, num piscar de olhos; estralar de dedos; passar de minutos, e, pummm, foi-se alguém que alguém amava pra caramba e que vai sentir muita saudade e nostalgia.
O câncer neste enredo é um vilão... vem matando desde (sei lá, acho, sempre) muita gente mesmo. Muita gente, mesmo! É gente morrendo de todos os tipos de câncer em todos os lugares do mundo.
Silenciosas, te matam devagar, e, às vezes, quando soubes, te dá uma semana. Sem dó. Chance. Dolorida.
Cânceres, vírus, acidentes, não importa o quê, tiram nossas vidas e não devolvem mais. Nos afastam do que chamamos de lar, dos amigos, de quem amamos, de nossos prazeres. Seja lá o que for, como for, é misteriosa e sorrateira. Golpe baixo.
E é pensando nisso que, quando na dúvida, decido, sempre, por valorizar os meus momentos reais de vida. "Amanhã pode ser melhor"... e se esse "Amanhã nunca chegar?". Não posso correr o risco de não fazer a besteira que for por uma "melhor oportunidade". Quê melhor oportunidade e momento que esse, meu (nosso), agora? Existe? Não conheço...
Nesse pensamento, me aventuro nas ações sem consequências conhecidas.
Enfim... mortes são mortes. Sempre há quem vai. E quem fica - para chorar a dor da ausência que ficou. Morte é o vazio de algo. A inexistência do que existia. Pelo menos para nós, humanos, meros humanos, meros humanos estúpidos.
Que venha ela, a cada um, que seja assim. E assim será. E que seja sem dor.

Sinara Dutra

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Brutalidade

Assisti hoje a um vídeo que mostrava um rapaz sendo espancado (no sentido real da palavra) por quatro ou cinco – ou até mais – integrantes do BOPE em uma festa pública, em Maceió. Não sei o que o rapaz fez para merecer tal surra – e de certo merecia mesmo aquela surra que levou –, mas tenho certeza de que a maneira correta de agir não é aquela.
Há alguns meses o filme “Tropa de Elite” pintou nos cinemas brasileiros – anteriormente, passando pelas telinhas brasileiras, em função da pirataria, antes mesmo da estréia nos telões – e deixou o país impressionado, ou, pasmado. Todo esse ‘impressionamento’ gira em torno do tratamento do BOPE, dele com as pessoas, e do treinamento duro, rígido e até desumano para formação daqueles homens para atividades especiais.
Agora, para quem não conhecia o BOPE, sabe que ele não brinca em serviço, literalmente falando. A agressividade, a frieza, a brutalidade definem aqueles homens que sobem os morros mandando bala indirecionada àqueles que realmente fogem às leis, causando tantas mortes acidentais em inocentes nas favelas brasileiras. A maneira cruel de punir os “criminosos” também espanta. O abuso de poder e as sádicas torturas a quem os desafiar, amedronta.
Hoje, vendo este vídeo, senti repulsa. Aquele homem que estava sendo espancado na frente de uma multidão podia ser tudo, menos covarde. Realmente, não precisavam tantos homens a bater numa só pessoa, indefesa e entregue. O rapaz tentava se explicar, esquivar, sem reagir, mas os homens do BOPE continuavam a bater, a dar tapas no rosto, para humilhar mais, e mostrar quem mandava ali. As outras pessoas sentiam medo e tentavam passar o mais longe possível do local, mas a violência tomava proporções de modo que o ‘meliante’ era jogado de um lado para outro, de maneira brutal, que atingia quem nada tinha a ver com aquilo, e era também agredido. Isso não parecia incomodar os homens da lei.
Esse tipo de imagem que vi hoje, de tortura desnecessária, me causa embrulho no estômago. Difícil não falar nada, ficar quieto, ou tentar achar normal.
Em algum momento, os papéis se trocaram e os mocinhos se tornaram vilões.

Sinara Dutra

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O novo que virá

O sol se põe, deixando a tarde mais sombria e mais bonita; e a noite vai chegando devagarinho. O céu fica um azul mais escuro, e as estrelas vão aparecendo. Depois, o breu. Então, a luz da lua faz iluminar. E a noite se faz total onipresente, imponente.
Mais horas se passam, num girar sem notar do planeta, e o sol novamente surge para dar luz a um novo dia. E assim, tudo outra vez. Assim, a vida vai se completando, para cada um, a sua forma. Ele nasce, ilumina o mundo, e tudo acorda para viver.
Criatura e as suas determinações. Seus instintos puros e impuros, sempre sob os julgamentos de um tal deus. Essa é a vida que se ensina, a vida que se aprende. A vida que as pessoas creem e querem amar.
Mas há algo diferente que acontece quando completa-se exatos 12 meses, a terminar em 31 de dezembro. Aí, uma certa magia de esperança injustificada e até, porquê não dizer, ilusória, de que tudo irá ser diferente, para melhor, simplesmente porque "os tempos são outros", contagia emocionalmente todos.
Nestes afloramentos sentimentais coletâneos, a certeza é de que tudo será positivo e melhor no dia porvir logo mais. Que as pessoas serão mais educadas, mais belas, mais ricas, mais inteligentes, mais tudo de bom que haja para se desejar.
Festeja-se com champanha, enquanto molhando os pés no sal do mar, a centenas de pedidos aos santos e estrelas que sejamos abençoados pelo que tivermos que sermos - pela água, pelas montanhas, nuvens e ar -, mais fortes, mais maduros, tolerantes, compreensivos e etc dali pra frente; relembramos pessoas, choramos a nostalgia de momentos felizes, e a tristeza dos ruins; lamentamos, despreparados, os nossos erros e sofremos os arrependimentos de atitudes bobas e desesperadas que partiram de nossas mãos.
Mas ao nascer do sol do dia seguinte, ao passar do porre, alcoólico ou o emocional - de alegria -, percebemos, fria e decepcionadamente, que tudo está igual. Os nossos problemas são os mesmos. Nossos defeitos. Medos. Anseios. Nada está diferente do ano que passou em algumas horas atrás.
Sabemos, pois mais maduros, e não por que o ano mudou de numeração, mas porque amadurecemos a cada instante, a cada migalha de dor, ou de felicidade, que teremos, se tivermos sorte, que enfrentarmos tantas provações ao longo dos nossos próximos minutos.
Sabemos, pois não tão burros, que a vida continua e se algo muda é o nosso jeito de tratar do que temos, sejam as coisas boas ou ruins. E que os pesos dos nossos carmas são pesos que teremos que carregarmos sós. E que as nossas dores só tocam a nós, e que mesmo repartidos, são nossos, e de ninguém mais.
E nessa reflexão que deprime após tanta euforia nas promessas e almejos no "tudo agora será diferente" - na imaginação inocente de que tudo será perfeito - a queda é de um degrau gigante, que nos remete à vida real; a realidade da qual não podemos subterfugiar em canto algum do universo.
E assim... segue o otimismo com suas facetas. A virada do ano é mais uma. Um motivo, uma data, para que todos tenham a fé de serem o que desejam ser momentaneamente ou futuramente.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ideologia... eu quero uma pra viver?

Está aí um assunto que me interessa, e intriga. Ideologia. O que é? Eu quero uma para viver?
Sei que trata-se de um conjuntinho de ideários, de pensamentos, conceitos, que, nesta loucura diária, se perde aos pingados em nossas entranhas num perdido qualificado em confusão geral. Ou, ainda, vai-se às palavras proferidas diante o que nos surpreende na doidera rotineira. Doideira porque é rotina e ainda consegue ser surpreendente. Portanto, sem razão.
Nossas persepções do ontem se modificam a cada instante do novo dia e a visão que temos ora nos perturba num novo amanhecer cheio de reviravoltas morais.
Por isso a crítica é tão absurda. O julgamento tão desaprorpriado. Exatamente porque julgamos atitudes de outros que podemos vir a imitar logo mais; ou, simplesmente, porque não estamos dentro das emoções alheias, tampouco vivenciamos o que não é nossa história. Essa é a instiga.
Se o mundo muda a cada minuto, é porque nós mudamos também. Pois, quem faz o mundo ser como é, a não sermos nós mesmos...? E ainda falamos "o mundo", como se ele tivesse vida prórpia, como se não fosse pouco parte de nós, como se não fosse resultado de nossas ações e omissões. Os homens sempre querendo fugir às responsabilidades...
Acredito muito na base dos nossos ideais. Em nossa ética ou falta desta. Neste conjunto de coisas que formam nosso caráter, bom ou ruim, bom e ruim, do jeito que dá para ser... Mas não creio numa ideologia formada, de uma vida, de um indivíduo. Não.
A ideologia vem para mim mais como uma coisa meio imóvel. Que não se mexe, muito distintamente de nossos pensamentos, e conceitos, e vontades, e desejos, que mudam freneticamente.
Talvez isso pareça muito prolixo. Um amontoado de ideias confusas para enlear opiniões internas, mas vale a pena fazer o teste. Veja um filme, pense sobre ele, e reveja-o dois ano depois.
Seus sentimentos permanecerão idênticos, imutáveis aos de outrora? Ou as situações e sensações deste espaço de tempo lhe farão mudar um pouco seus cenceitos?
A mim, ideologia vai e vem. Diferentemente daquilo que queremos. Querer é mais fácil. Surge de repente e só sabemos senti-la. Mas as ideias, os pensamentos, não.
Por isso sentir é mais fácil do que pensar, refletir, explicar.
Mas, sim, eu quero uma ideologia para viver. Eu acho...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Relatos de sexta à tarde

Caminhava rumo ao centro de Porto Alegre, em plena sexta-feira.
Antes, para chegar a estação da Trensurb Canoas, para ir até o Mercado, uma verdadeira maratona. O simples caminhar torna-se tarefa de atleta, driblando as pessoas espaçosas e aos montes. Que não sabem andar em multidão, e acabam atrapalhando e atrasando quem está com mais pressa.
Chegando na estação, um amontoamento de gente, tentando fazer uma fila para comprar em um único ghichê o seu bilhete.
Existem seis, mas aberto, apenas um. Penso que talvez os outros existam para dias de movimento. Mas, o que chamariam aquela sexta-feira, véspera de feriadão?
Espero, não pacientemente, mas comportada, minha vez. Com certo nervosismo, tento catar as moedas do bolso e acomodá-las em minha mão. Chata aquela espera. Um medo repentino de ouvir o trem estacionando, e ainda estar ali.
Fui atendida. A rapidez no atendimento é subjetiva... às vezes se tem sorte...
Eu tive sorte com o trem naquela tarde quente. Assim que desci a escada rolante, lá estava ele, parando devagar, e as dezenas de pessoas se aglomerando nas portas. Me cheguei perto, e fui com a multidão.
Dentro do trem aquele abafado. Cansada, sentei-me no chão. Que era o lugar que sobrava. Nem livro, nem música, nem nada de munição para vencer aquele tédio. Mas eu já havia vencido uma etapa daquela jornada. Só precisava permanecer ali, quieta, sentada, que logo a estação terminal viria, com a minha chegada.
Mas o saculejo, o balanço do trem, me fez enjoar. Fechei os olhos. Agora não era mais apenas permanecer quieta, sentada, eu tinha que lutar contra a tontura e a dor agúda na cabeça, que estavam a me torturar.
E logo estava eu, cercada de pessoas apressadas, empurrando umas as outras, na corrida pelos corredores. Algumas pessoas cheiram a nata! Senti esse cheiro muito forte em mais de uma. Somos obrigados, quando em público, a sentir os cheiros alheios... os cheiros de cada um.
Mais uma batalha. Estava, de fato, no centro de Porto Alegre. Entro no Mercado Público. Como recepção, aquele fedor de peixe.
Última parte da missão. Esperar. Me posicionei em lugar que eu poderia ficar cuidando. À minha vista, um enorme formigueiro colorido.
Fiquei tonta ao ver tanta gente passando de um lado para o outro. Quanta disposição! A minha energia a esta altura estava completamente esgotada. Aquilo me cansava. Minha pouca paciência se ia. Sem que eu pudesse a prender.
Minutos se tornaram horas e por aí vai. Minha ansiedade tormava formas mosntruosas. E aquele cenário já estava de terror.
E quando já estava quase vencida, quem eu esperava chegou, para me salvar da loucura que eu estavas prestes a encontrar.


Sinara Dutra

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Momento de leitura

A solitária

As escolas têm aquele ar maldoso, da típica sinceridade das crianças. Nela, pode se traumatizar uma pessoa que, talvez, jamais se curará.
Para Nora, a escola era uma armadílhia. Como se tivesse que cuidar os passos para pisar por onde andava. Como se os degraus ou o piso pudessem de repente desaparecer e abrir-se um buraco em seus lugares. Das paredes saírem mãos a fim de a puxar para dentro de um acimentado sem fim. Vozes, gritos e gargalhadas eram como tiros adentrando seu corpo, este, mutilado pelas ideias de uma perseguição de ridicularização injustificada.
Sentada a um banco de cimento sem pintura, mãos nas coxas, observava as outras crianças a brincarem, num divertimento curioso. Uma alegria aparentemente inesgotável, de uma fonte invisível. Os risos soltos fáceis. As falas não direcionadas. Não censuradas. Numa forma prática de agir. Mexer os braços, as pernas, sem receio. Sem vergonha. De exibir suas formas, roupas.
Experimentava, enquanto sua observação, o sentimento de limitação quanto a tudo que via. Uma carga de culpa por algo, como se fosse uma praga a ter que conviver com todos. Uma parasita a ser posta de lado, a seu lugar.
Difícil era entender porquê se sentia e era tão diferente dos demais.
Fosse o que fosse, aquilo causava uma dor absurda. Fosse culpa de ninguém, nem mesmo de si, nem mesmo de deus, ela pensava, não importava, o que sentia jamais poderia ser dividido por dois, ou por cem. Jamais poderia reduzir sua tristeza repartindo-a com alguém, se a tivesse.
Infração sua não tentar rever seus direitos de igualdade?!
Jamais ousaria questionar uma certeza de inferioridade dita por alheios. Mostrada por estranhos. Não por si. Mas por atos que vinham de outros. Estes diziam a vozes altas o valor e o preço das ditintas visões conceituais.
Nora ficara o recreio inteiro só. Ninguém foi consigo sentar. Nem lhe falar. Sequer notaram sua presença. Era como se fosse pedaço de algum pilar. Dos muros. Da cancha, de modo que poderia até ser atingida pelos chutes e boladas que não sentiria nada. Pois não há vida dentro de um tijolo e o nada jamais sentiria dor.
O toque de recolher tocou e todos foram se diringdo às salas de aula. Menos Nora. Um pensamento havia lhe tomado a mente.
Pior do que ser odiada, é sequer ser notada. E Nora sinceramente desejou ser odiada, como judas, por todos, para sentir-se segura.
Mas ninguém poderia odiá-la. Pensou. Por que?
E muito rapidamente tudo estava vazio. E então, sentiu que daquela maneira sentia-se melhor. Perto de ninguém, não tem como ser pior. E entendeu que a solidão lhe fazia bem. Pois lhe tirava de uma posição de defesa ou um julgamento constante, onde o que valia era o que consideravam normal.
Todos os recreios de Nora, em todos seus anos na escola, foram iguais. Presa por aqueles portões enormes, aprisionando seu corpo. Contudo, seus pensamentos voavam como pássaros livres no ar. Num amadurecimento solitário às duras manhãs intermináveis e frias dos invernos e infernalmente quentes e insuportáveis dos verões ainda mais alegres para quem se encaixava nos contextos das cenas de sua vida. Porém, menos doloridos de sentir. Como quando acostumamos com a dor.
A prolixidade de sua diferença ou, indiferença, a tudo, já fazia parte do que continha em si. Como um sinal gravado no corpo. De nascença.
Consigo, carrega ainda toda a bagagem entranhada das horas em que sua exclusão lhe levava à reflexão doída do preço a ser pago por se distinguir do que é a maioria.

Sinara Dutra

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Momento Musical

Usarei este espaço por tempo indeterminado para falar sobre música. Pois minha ligação à musicalidade é intensa e íntima. E serve-me como forma de terapia.
Aqui, falarei sobre canções, letras, autores e intérpretes.
"A musicalização é o processo de construção do conhecimento musical, cujo principal objetivo é despertar e desenvolver o gosto pela música, estimulando e contribuindo com a formação global do ser humano."
Nesta terceira edição de meu "Momento Musical", como classifico minha fase, onde escrevo meus textos relacionados à música e musicalidade; os artistas que as trazem para nós e os criadores desta arte sonora, minha terceira escolhida é Marina Lima. Veja abaixo:

A cantora das canções inesquecíveis
Por Sinara Dutra
Décadas de 80, 90. A música soa à voz da "moderninha" Marina Lima.
Suas músicas tiveram repercussão nacional e tocavam por todos os lugares, das boates às rádios de shows a novelas.
Ídolo nacional; A voz feminina do pop, da MPB, dos adolescentes, dos adultos descobrindo uma nova voz; ouvia-se por todos os buracos e por todas as idades "À Francesa".
E, em "Pra começar", refletia em voz alta: Pra começar / quem vai colar os tais caquinhos do velho mundo / pátrias, famílias, religiões / e preconceitos / quebrou não tem mais jeito./ Agora descubra de verdade o que você ama / e tudo pode ser seu.
E quem não cantarolava ou sabe a letra de "Fullgás"?!: Meu mundo você é quem faz / Música, letra e dança / Tudo em você é fullgás... / Você me abre seus braços e a gente faz um país...
Cantou Lobão, "Me Chama". "Chove lá fora e aqui / Faz tanto frio / Me dá vontade de saber / Aonde está você / Me telefona / Me chama, me chama, me chama..."
Morou dos cinco aos 12 anos nos Estados Unidos. Lá ganhara do pai um violão, talvez para distrair-se e não lembrar o país abandonado.
Anos depois, admitiu que após ver e ouvir Gal Costa, fora paixão à primeira vista. E aos 17 anos, após musicalizar poemas do irmão Antônio Cícero, com quem teve parceria em muitas canções, retorna ao Brasil e tem uma canção sua cantada pela própria cantora Gal Costa, seu ídolo. Uma canção sua ainda quase fora gravada por Maria Bathânia, mas antes censurada e proibida.
Numa época em que a sexualidade era tabu, sua bissexualidade era orgulho e estímulo para quem se calava e se reprimia em uma sociedade ainda mais imatura e preconceituosa.
Dona de uma discografia de mais de 20 álbuns, e cerca de 11 Ouros, tem sua carreira ameaçada no ano de 1993, após problemas pessoais e a morte de seu pai, culminando no mergulho profundo da depressão, que lhe afastou dos palcos. Tal doença lhe causou danos nas cordas vocais.
E em 1998, o mundo nota sua deficiência vocal. Porém, sem cessar mais, anuncia que está fazendo aulas de canto e fono, "para reaprender a usar sua voz". Não para mais.
Hoje, com 54 anos, lança "Lá nos Primórdios", novo álbum baseado no show "Primórdios", um espetáculo, que uniu, ano passado, a música visceral da cantora com elementos de dança, teatro e artes plásticas, dirigido por Monique Gardenberg, e que não deixou uma cadeira sequer do Auditório Ibirapuera ficar vazia. Não era pra menos: Marina construiu ali uma verdadeira experiência sensorial – e muito emocionante – para seu público.
Em 2010, lançará o livro "Marina Lima Entre as Coisas, que conta o que falou nas diversas entrevistas que deu ao longo de sua carreira polêmica.
Marina Lima é história na música brasileira. É nome forte, conhecido por várias gerações. Suas canções foram e são cantadas de cor, e uma ou mais delas faz ou fez parte da sua vida.
Conheça a discografia de Marina Lima: http://vagalume.uol.com.br/marina-lima/discografia/marina-lima.html.
Conheça seu novo trabalho: http://br.musicamp3.com/0335872/Marina_Lima/La_Nos_Primordios_/


O estandarte do sanatório geral de Chico Buarque
Por Sinara Dutra
“‘Vai passar nessa avenida um samba popular’, Chico Buarque de Hollanda, compositor.
E ‘ao lembrar que aqui passaram sambas imortais, que aqui sangraram pelos nossos pés, que aqui sambaram nossos ancestrais’, o escritor Chico Buarque imortalizava ao tom das marchas de sambas dos velhos e saudosos carnavais a história de um Brasil que contou e cantou em épocas de repressão e regime militar. Às épocas em que o “aqui” tão referido era o país já tão massacrado porém mais defendido e menos acovardado.
‘Num tempo, página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória’, o Chico exilado na Itália, falando três línguas, tornou-se professor.
‘Das nossas novas gerações, dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações’, Chico Buarque narrava a morte lenta de um país morto de fome, calado às bocas às forças (armadas) em clara e despeitada represália à crítica e à censura à liberdade de expressão dos ides de 1969, voltando à sua Pátria Amada como o artista mais ativo na crítica política e na luta pela democratização do Brasil. Chico Buarque de Hollanda, carioca, brasileiro.
‘Palmas pra ala dos barões famintos, o bloco dos napoleões retintos e os pigmeus do boulevard’, Chico ironizava neste trecho a burguesia e à ignorância dos poderosos como cronista.
Sua Roda Viva, obra teatral de muita repercução e sucesso, que virou símbolo da ditadura militar, teve seu cenário invadido por cem pessoas do Comando de Caça aos Comunistas que depredou o cenário e espancou os artistas: ‘Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar, a evolução da liberdade até o dia clarear’, Chico, dramaturgo.
Sim, a ‘evolução da liberdade’ que sucedeu-se graças a muitos artistas brasileiros, que não calaram a sua voz , como Chico, cantor.
Mas também poeta, ator e um dos homens mais inteligentes da nossa classe de estrelas que brilham no cenário mais rico de nossas artes.
Chico Buarque de Hollanda, tímido e ‘devagar’, foi ganhador do mesmo festival que popularizou a frenética porém sutil Elis Regina, ganhadora do I Festival Nacional da Música Popular Brasileira, a qual Chico ganhara sua segunda edição, e, no dia 10 de outubro de 1966, data da final, iniciou o processo que designaria Chico Buarque como unanimidade nacional, ultrapassando décadas e se fortalecendo cada vez mais como compositor e cantor, reconhecido nacional e internacionalmente.
Chico Buarque compôs Atrás da Porta e Cio da terra, que Elis Regina interpretou com suas performances ímpares; e diversas canções gravadas e interpretadas por Milton Nascimento, Oswaldo Montenegro, Angêla Maria, Ney Matogrosso, Cauby Peixoto etc, sendo ele parceiro de Tom Jobim, Caetano Veloso, Vinícius de Moares, Toquinho dentre tantos. E, com Vinícius de Moraes em sua alta sensibilidade, pintou a MPB de cinza com a tristeza da história fidedigna do povo brasileiro em “Gente Humilde”, e coloriu debochadamente com nossos verdes louros com “Vai passar” a história da música nacional.
Conheça a discografia de Chico Buarque: http://vagalume.uol.com.br/chico-buarque/discografia/.








A intérprete da vez: Maria Bethânia. Veja abaixo.

Por Sinara Dutra
Me apaixonei pela Bethânia faz poucos meses. Bastou ouvir Fera Ferida, gravação marcante feita por Roberto e Erasmo Carlos para que eu me interessasse por tudo que ela fazia.
E ao procurar e ver o que era Bathânia, apenas constatei a diva, a majestosa mulher e cantora que contribiu com a construção da música popular brasileira - rica e deslumbrante.
Ela tinha dezessete anos quando saiu de uma cidadezinha no estado da Bahia, chamada Santo Amaro. Tímida, tranquila e dona de uma voz forte e suave.
Caipira e admitida caipira, diz que acha a caipirice a coisa mais chique do Brasil, e mais, que duvida que uma pessoa com seu juízo no lugar não queira uma casa no interior.
Pensou em não cantar por vergonha, timidez.
Nega convites de entrevistas, programas, apresentações porque prefere a sua casa, porque prefere cozinhar para os amigos e tomar cerveja para rir um pouco e viver seu lado criança o maior tempo possível onde se encontra à vontade.
Caipira tímida que, quando sobe no palco deixa a menina de Santo Amaro, e revela a mulher forte, macho sim senhô, e cheia de escrúpulos que quando abre a boca faz com que todos presentes se calem para apreciarem tamanha perfeição de voz e uma simplicidade generosa numa carcaça áspera de pés sujos e postura entregue à fotografia da arte em forma de mulher.
Intérprete, foi a primeira mulher a superar a marca de 1 milhão de cópias vendidas de um álbum.
Intérprete que homenageia àquele que tem sua canção gravada por ela pela tamanha carga de dramaticidade dada por si nos palcos e em cada letra falada/cantada pela voz anasalada, completamente inconfundível.
Gravou mais de cinquenta discos que não seguiram nenhuma regra. Nunca gravara nada que não quisesse, falado algo que não pensasse ou cantado algo que não se encaixasse com pedaço de si
Como não posso deixar aqui as centenas de obras adaptadas por Maria Bethânia, deixo uma pedida de um vídeo com uma canção cantada e interpretada por ela, de Rita Lee.
http://www.youtube.com/watch?v=P0vMLr1vYko
Conheça a musicalidade de Maria Bethânia.
http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/ver/maria-bethania





domingo, 30 de agosto de 2009

Luta pela vida

Em frente à Expointer 2009, em Esteio, houve mais um protesto de ativistas pela luta dos direitos animais.
Grupos da Sociedade Vegetariana Brasileira - SVBs de Porto Alegre e Canoas, assim como demais grupos como o GAE - Grupo pela Abolição ao Expecismo, de Porto Alegre, e o grupo Vanguarda fizeram um 'paredão' em frente à primeira entrada da feira para exporem seus cartazes e mostarem repúdio à 'festa'.
Este não é o primeiro protesto PACÍFICO que manifestantes pelas causas animais fazem em frente à maior exposição de animais da América Latina, porém, nenhuma destas ações diminuiu a quantidade de público no evento ao longo destes anos.
As pessoas ainda não CONSEGUEM ou não QUEREM associar a carne de todo dia à matança injusta e cruel de milhares de animais todos os dias.
E a festa é mais uma prova disto. A maioria das pessoas que passa pelos manifestantes, que distribuem panfletos e argumentos em defesa de uma vida digna para todos os seres, riem e acham que somos baderneiros, que queremos aparecer, mas há ainda algumas que, surpreendentemente, param, olham e ainda concordam que tudo é uma crueldade desnecessária, mas, mesmo assim, entram na feira e, tanto dentro do local, ou mesmo nas 'banquinhas em frente, consomem a carne animal.
Isso só vem a provar que, realmente, as pessoas não associam uma coisa à outra, cada uma a seu motivo particular, que na maioria é a ignorância e a opção de não querer ver o que há claro à suas vistas e entendimento, por comodidade e prazer próprio.
E assim animais de várias espécies continuam aprisionados, vivendo como máquinas para uso dos humanos, abatidos para uso dos humanos e os humanos cegos diante à tamanha barbárie.
Contudo, pessoas que respeitam à todas as espécies vão, todos os anos, em diferentes datas e locais, expressarem-se em união para a igualdade e a democracia na terra.
Estes grupos não morrerão. Podem as pessoas se desligarem, e mesmo estas quando morrerem, mas outras pessoas tomarão seus lugares e a luta continuará por um mundo mais justo e mais digno para todos.
Isto não é uma utopia, é um compromisso de quem vê além; que PENSA por si, e não pelos outros, adotando viéis de padrões baixíssimos; que repensa a sua cultura e a muda conforme seu julgamento de correto e justo, e um depoimento de quem nao CONSEGUE aceitar a esta realidade horrenda e descriminatória que ultrapassa todos os limites da injustiça.
Sinara Dutra

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Nos bastidores da "festa"

Fico pensando, quando estou em alguma festa, por exemplo, que atrás de alguns tijolos há pessoas trabalhando para que meu prato esteja servido, meu copo cheio e meu divertimento mais prazeroso.
Assim é em quase tudo.
Quando nos bares e restaurantes, boates, turmas às conversas distraídas da semana e seus pedidos sendo preparados na cozinha que se esconde atrás de algumas portas.
E quanto aos zoológicos, que fazem a diversão das crianças, conhecendo girafas, elefantes e tantos outros animais, e do outro lado estão os bichos aprisionados em jaulas, como amostras, assim como sapatos em vitrines.
E nas pessoas que me lêm agora, falando mais uma vez sobre a justiça e a democracia, que pensam eu ser uma demagoga, que falo mas não faço, que julgo mas não me autocritico; que só sei falar. E se falo, que só falo sobre as injustiças em relação aos animais e não a respeito dos seres humanos.
Pois bem, cá estou fazendo o que acho ser justo, mais uma vez.
Falando por quem não tem voz para se defender.
E falo porque quero e não porque só isso sei falar ou apenas isso me interessa.
Poderia falar do que quisesse. Porém, no momento, não consigo me manter indiferente. Porque mais uma vez, uma "festa" será feita em cima de uma matança, animal.
A Expointer é uma feira agropecuária de destaque nacional. É considerada a maior exposição de animais da América Latina.
A feira é um grande símbolo da utilização de animais pelos humanos.
A cada ano, a "festa" ganha mais público. Cada vez mais e mais. E assim, mais animais são expostos e mais animais são mortos.
E fico me indagando, de forma geral e abrangente: por que no mundo, para que alguém esteja gozando de sua felicidade, alguém ou algo têm que sofrer danos?
Por que não as coisas serem democraticamente justas?
Quando os humanos poderão ver que suas fraquezas nem sempre poderão livrar as culpas de seus erros?
Que não são superiores a nenhuma outra espécie.
Que não, não precisam comer carnes para sobreviverem, sapatos e casacos de pele para ficarem mais bonitos, elefantes equilibrados em bolas em circos para se divertirem e tantas outras formas de exploração animal que apenas demonstra a covardia e a vaidade humana.
A realidade é que, os animais hoje, embora os protestos, os argumentos carregados de fundamentos éticos e dignos, são vistos e tratados por nós, assim como os negros eram tratados pelos brancos em um tempo em que, mais uma vez, os homens se julgavam superiores.
E sem mais palavras, mais uma vez, me refugio em Voltaire, a sua vez tão valoroza de expôr a sua verdade, a mim, tão clara e óbvia:
"Que ingenuidade, que pobreza de espírito, dizer que os animais são máquinas privadas de conhecimento e sentimento, que procedem sempre da mesma maneira, que nada aprendem, nada aperfeiçoam! Será porque falo que julgas que tenho sentimento, memória, idéias? Pois bem, calo-me. Vês-me entrar em casa aflito, procurar um papel com inquietude, abrir a escrivaninha, onde me lembra tê-lo guardado, encontrá-lo, lê-lo com alegria. Percebes que experimentei os sentimentos de aflição e prazer, que tenho memória e conhecimento.Vê com os mesmos olhos esse cão que perdeu o amo e procura-o por toda parte com ganidos dolorosos, entra em casa agitado, inquieto, desce e sobe e vai de aposento em aposento e enfim encontra no gabinete o ente amado, a quem manifesta sua alegria pela ternura dos ladridos, com saltos e carícias.Bárbaros agarram esse cão, que tão prodigiosamente vence o homem em amizade, pregam-no em cima de uma mesa e dissecam-no vivo para mostrarem-te suas veias mesentéricas. Descobres nele todos os mesmos órgãos de sentimentos de que te gabas. Responde-me maquinista, teria a natureza entrosado nesse animal todos os órgãos do sentimento sem objectivo algum? Terá nervos para ser insensível? Não inquines à natureza tão impertinente contradição."
Que o tempo mostre a verdade e o caminho a quem não enxerga a luz da verdade e do progresso interior.
Sinara Dutra

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Poesia do mano

Religasurfe

Enquanto a próxima onda
fico a esperar,
fecho meus olhos,
remo devagar.

No sobe e desce da água,
como um barco a navegar.
Me sinto como um viking,
sem nenhum receio do mar.

Celebro a água, a brisa e o sol,
tudo a me tocar.
E, juntos, nos tornamos um todo,
um só corpo a dançar.

Feliz está minh’alma
que quase chora ao constatar
o quanto de tão pura vida
tenho dentro a pulsar.

Sem saber ao certo como,
sinto a nova série de formar.
Cessam os sons, os pensamentos,
até a gaivota pára no ar.

Tudo parece um sonho,
Daqueles que não se quer acordar.
Mas, abro os olhos, remo para o horizonte,
é hora de tudo recomeçar.

Vanderlei Dutra Filho
(Republicação)