terça-feira, 2 de junho de 2009

O outro lado do muro










Em 1950, o Brasil foi sede para a Copa do Mundo daquele ano. Agora, estamos em obra para mais um mundial. Isso fará milhões e milhões de brasileiros eufóricos. Se gastarão trilhões de reais em obras nos estágios, estradas etc. Mas com tudo, ao final, teremos nossa recompensa: dinheiro dos visitantes estrangeiros com nossa gastronomia, mercado de roupas, artesanatos, hotelaria etc; enfim, produtos brasileiros nas mãos de gringos de todos os lados do mundo.
Em questões financeiras fará bem ao Brasil, um país subdesenvolvido, em ascenção de crescimento, sem dúvida - um país como tantos, do futuro - e que é amado por estrangeiros em função do nosso antigo futebol de nível superior.
Porém, olhando por outro lado, meu lado mais humano, mais crítico, mais olístico - digamos que a visão não é tão positiva.
Num país onde há milhares de pessoas morando nas ruas; não tendo comida em casa; crianças morrendo de frio e desnutrição; gente numa podridão quase definitiva, uma maloca ao lado de bilionários investimentos chega a ser irônico.
Para tantos e tantos projetos que, com muita luta, foram aprovados pelo Congresso Nacional e pelas Câmaras de Vereadores Municipais, a maioria não saiu do papel exatamente por 'dizerem' não haver verba para tal. Agora, para obras milhonárias, se tem.
Como que um país tem tanto dinheiro para fazer uma supercopa e aconchegar centenas de visitantes em total luxo, e não tem COMIDA e MORADIA para seu povo?
O que é mais importante, afinal?
Morar em casebres alagados, frios, sem roupas quentes, sem comida, sem gás, sem dinheiro e ter como visinho um estádio extraordinário onde lá estão homens que ganham por mês o que tu não ganhas em todo um ano de vida de trabalho, chutando bolas e dando autógrafos, deve ser revoltante.
Uma cidade armada para olhos que vêm de longe, querendo ver coisas bonitas, do país do futebol. Tudo bem arrumadinho, como casa de pobre em dia de festa, ou dos relaxados, escondendo as sujeiradas por baixo dos tapetes. Assim, as malocas, as favelas e as vilas ficarão longe das festividades. Deixadas do jeito que são, bem em seus lugares, distantes, para não serem vistos e não estragarem os espetáculos.
Antes de Copas... atendamos nosso povo faminto, cansado de reclamar por uma vida mais digna, seu Presidente.

Sinara Dutra


quinta-feira, 28 de maio de 2009


Dieta familiar

A cervejada e a comilança estavam fazendo a festa lá em casa; temporada de casa cheia, a mãe vindo do interior para fazer exames na capital.
O frio rasgando os lábios e uma certa falta de vontade de sair de casa.
A programação era ficar em casa vendo filmes e comendo. Jogando videogame e comendo. Brincando com os cachorros e comendo. Ouvindo músicas enrolados em edredons e comendo. Sempre acompanhado de uma boa cervejinha para dar aquele ânimo para um início de inverno massacrante.
Em poucos dias todos foram notando-se arrendondandos. Notava-se uma certa perturbação em função de estarmos nos sentindo pesados e inchados. Mas ainda felizes com as comilanças e as bebedeiras.
Até que um dia, um domingo chato e regado de tudo de bom para comer e beber, eu tive uma ideia que acabei compartilhando com todos e que transformou num inferno a minha vida.
Disse que faria uma dieta para perder uns kilos. E que só tomaria cerveja aos finais de semana. Todos acharam a ideia ótima e de repente, sem que eu pudesse controlar, aquilo já era regra para todos dentro de casa.
Sim! E ao ponto de cada um cobrar do outro os excessos cometidos.
Quando me vi, estava cercada de policiais prontos a me coibir e punir com uma falha na dieta.
Os pães eram contados e bebidas só lights.
Fazia apenas dois dias que estava naquela situação limitada de meus prazeres, quando resolvi burlar um pouco a regra da casa.
Comprei uma lata, uma mísera latinha de cerveja, para tentar dar mais brilho àquele resto de dia e começo de noite chato e cansativo. Mas vi no olhar da Fernanda uma reprovação que me deu um nó na garganta ao ponto de quase impedir o líquido a adentrar minha goela. Golpe baixo dela.
Para piorar a situação, nesta mesma noite, a qual me sentia culpada e traidora da família, bate-me à porta meu vizinho para pedir algo. Ele e a esposa têm um cachorro da raça Labrador que mais parece um leitão. Eu tinha certeza de que o cão pesava uns 100 kilos, sim, ele parecia pesar isso.
E resolvi, naquela visita inesperada, lhe perguntar para confirmar. Ao que tive a surpresa que me finalizou como um golpe fatal numa luta de vale-tudo.
Ele disse-me que o seu cão pesava apenas 40 kilos. 40 kilos? Duvidei. Ele manteve sua posição. Naquele momento, eu já encarava aquilo como uma agressão. Ele me deu um tapa na cara sem piedade.
Eu, passando dos 50 e aquele "búfalo" com 40?! Ah...
Fechei a porta derrotada. Fernanda só me olhava, querendo rir e ver minha desgraça, claro, afinal, eu estava arruinando a dieta de toda uma família.
No outro dia, falei pela internet com a Ângela, na esperança de que ela me doasse palavras confortantes. E me abri. Disse que não aguentava mais aquele regime militar alimentar.
Foi então que lhe contei o ponto a que cheguei com essa repressão.
"Estava anoitecendo, eu eu acabara de chegar em casa do trabalho. Mãe no quarto, mano no seu, e Fernanda me olha e diz: Bah, que vontade de tomar uma cervejinha hoje!
Mas não pode! Logo pensei. Ela estava noite passada me fuzilando com os olhos e agora estava com aquela malícia nos olhos, me induzindo a pensamentos que iam contra o regime familiar. Eu devolvi o mesmo olhar, que logo se realizou numa trama calculada cuidadosamente com sabor de 'errado'.
Dissemos a todos que iríamos sair para locarmos uns filmes em DVD. Todos acreditaram. Saimos e compramos no boteco da frente umas latas e, como duas adolescentes, fomos tomando pela rua, enquanto olhávamos para os lados para nos reafirmarmos de que não estávamos sendo seguidas. Ríamos de nossa situação infantil, mas não sentíamos arrependimento. Aquilo nos parecia com 'liberdade'."
Ângela disse que o cão não pesaria apenas 40 kilos, o que me deixou mais crente ainda de que eu estava certa em duvidar daquele dado. Fiquei mais confiante. Ângela disse mais, que estava com dó da minha situação. E se ofereceu para ajudar no que fosse preciso.
Eu disse a ela que queria o fim daquele tratamento militar que estava por me tirar a graça de viver, e que estava com coragem de fazer um motim, armar uma rebelião.
Ângela disse que me ajudaria. Que em poucos minutos, se eu quisesse, ela estaria na porta do meu apartamento com cartazes e um megafone, aos gritos: "Liberdade, liberdade." "Não queremos mais sopinha, queremos é cevinha". "Chega de regime alimentar, queremos é nos embebedar".
Achei que aquilo seria um golpe muito forte. E optei por não fazê-lo. Foi uma decisão difícil, confesso que quase cedi, mas meus laços familiares foram mais fortes. Minha mãe poderia não resistir a uma paulada daquela.
Pus meu rabinho por dentre as pernas e engoli em seco. Arrumei minhas coisas e fui para casa. No caminho, refleti sobre tudo. Era quarta-feira e haveria jogo na televisão. Pensei comigo: "Mas hoje meu time jogará! Como não beberei pelo menos uma mísera cerveja?".
Telefonei para casa e comuniquei a todos: "A partir de agora, cerveja só no final de semana, e nas quartas-feiras, quando tiver jogo. Fernanda, bote umas pra gelar, tenha dó".
Ninguém se opôs.
Já faz quase uma semana que entrei nessa e nada de resultados.
Sou imediatista, quero ver meu corpo magro e esbelto de antes! Ângela me esclareceu o que eu já sabia: os resultaos só aperecem em dois meses!
Ouvir aquilo foi como levar um soco na boca.
Eu estava perdendo o controle. E tudo só daria certo se eu cumprisse com a dieta direitinho, ou seja, ao pé da letra. Não sabia mais se poderia fazer aquilo.
Mas a dieta segue, meio capenga, porém em pé.
Que buda me ajude e me dê a força necessária para poder concluir os 2 meses.
Tá difícil!

Sinara Dutra


terça-feira, 26 de maio de 2009

Agenor de Miranda Araújo Neto
Sou uma amante de Cazuza, e todas as palavras que venham dele me interessam. Para quem também admirava seu trabalho e suas ideias e quem é da minha geração, nascidos no ano de 1980, e que quando já o conheceu ele já estava em fase terminal ou morto, reparto trechos deste vídeo de 1988. Ao término, vários outros vídeos dele e sobre ele.

Fim!
Lucy Gordon estreou no cinema em 2001 no filme “Perfume”, fazendo papéis secundários e figurativos até chegar ao "Homem Aranha 3".
Modelo e atriz em ascenção, considerada pela imprensa, seus mais íntimos dizem que suas melhores qualidades eram as de brilhante e generosa.
Tinha 28 anos e suicidou-se um dia antes de concluir seus jamais completados 29.
O último filme em que foi vista foi Homem Aranha 3, porém ainda será vista em 2010 ou no final deste ano, como Jane Birkin em um longa-metragem sobre o cantor Serge Gainsbourg.
Bonita, realizada em seus trabalhos como modelo e atriz e em eminente crescimento profissional, Lucy se enforcou em seu apartamento alugado em Paris, onde morava com o namorado.
Ficam em mim perguntas sem respostas. Um lamento de impotência e tristeza.
O que leva uma pessoa a um ato tão fatal? O que sentiria de tão ruim? O que lhe atormentava a alma? O que lhe faltava?
Por que fama, dinheiro e beleza são considerados sinônimos de felicidade?
Não são.
Nem todas as pessoas querem isso na vida.
Esse não é um conceito que vale para todos.
Cada um tem uma ideia de felicidade que se diferencia muito e muito do estrelato e de tudo que vem com ele.
Todos podemos ter uma vida indesejada, empurrá-la com a barriga o quanto pudermos, ou até quando der, mas ainda podemos modificar tudo e vivermos uma vida parecida com a qual nos parece ideal.
Mas às vezes as teorias são muito mais bonitas do que acessíveis.
Morrer de overdose muitas vezes é erro de cálculo, mas uma trama de enforcamento demonstra uma deliberada ação, programada cuidadosamente.
Somente uma dor incalculável pode fazer uma pessoa engatilhar a própria arma que lhe tirará a vida e o convívio daqueles que ama.
Do que sentias quando se matou... quem saberá dizer?



Sinara Dutra

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Recordo-me
Não lembro sua voz.
Lembro-me de sua barba por fazer e da estranha sensação que sentia quando tocava meu rosto no seu.
Do bigode que por vezes tapava seus lábios superiores.
Do cabelo encaracolado, penteado de hora em hora para trás, por seu pente portátil e particular. Uma leve lembrança de um queixo, nariz e boca de homem.
Das brincadeiras debaixo da d’água fria do mar. Quando boiava de costas por minutos, mostrando um bom fôlego; De quando submergia na água e emergia-se mostrando primeiramente os cabelos dançando ao som das marolas; Lembro-me de rir muito daquilo e ter medo quando ele, ainda submerso, em apnéia, sob o raso das ondas, tocava minhas pernas ou pés, fazendo-me saltar gritando, assustada, numa felicidade infantil e sincera.
De acordar mais cedo aos sábados ensolarados e lhe pedir a chave do Fusca amarelo estacionado defronte ao apartamento e ficar lá dentro, brincando de dirigir, com a testa sobre a buzina e um sorriso bobo nos lábios, enquanto ele me cuidava da janela fumando seu Marlboro, filtro vermelho.
Dos sábados e domingos frios em que ficava na cama, e do seu vai e vem da cozinha, trazendo iguarias em bandejas, enquanto assistia desenhos na televisão sobre sua cama – um colchão no chão em função de seus problemas na coluna.
Das mariolas, dos picolés e das gemadas.
Do cigarro e o isqueiro no bolsinho da camisa, junto com os trocados que me dava quando pedia para as balas e bolachas.
E de quando, às vezes, com a mão esquerda, tapeava o mesmo bolso várias vezes, para dar veracidade à sua afirmativa de que não tinha nenhum trocado lá.
De me exibir aos amigos vários e conhecidos ao andarmos pelas ruas e dizer-lhes que eu era sua “relíquia”.
Das suas mãos na parte de trás do banco de minha bicicleta rosa nova. De vê-lo caminhar curvado a meu lado a passos apressados, enquanto eu pedalava sorridente e temerosa naquela nova experiência; Da segurança que me passava ao saber que sua mão equilibrava-me, até largar-me e dizer para que eu continuasse sozinha, que estaria por me seguir, e assim vê-lo ficando para atrás de mim, satisfeito e orgulhoso de me ver livre, avançando o fim da viela em ziguezague.
Da última vez que lhe vi, nas areias de Tramandaí, com suas roupas inapropriadas para um dia de sol de verão em beira-mar; Da sua distância, à espera de meu abraço.
E da despedida fria e rápida; e dum aceno distante e melancólico, que vem, muito de vez em quando me visitar à memória como um trailer de um drama numa cena em preto e branco.
Hoje, quando se chega repentino à mim, vem em tons de samba, com "Deixa isso pra lá" - e uma dança estranha com a mão - sua música predileta de cantarolar.
E assim como as marolas que lhe escondiam para me divertir, ora as nuvens o escondem mesmo quando o céu está limpo e celeste, e é nele que o encontro, na imensidão deste azul vivo do céu.
Pra ti, pai.
"Deixa isso pra lá" e "Vem chegando a madrugada"
Sinara Dutra

terça-feira, 19 de maio de 2009

Música de Yann Tiersen "La Valse d'Amelie" com o texto "Saudade" de Simone Dutra.





Saudade

Nas manhãs, ruas e parques sem flores,
Tudo comum... vês o comum esbrasear
Olhos costumeiros de paisagens frias
É o comum dos olhos que não aprendem a viajar.
Ao entardecer, somente os passos ligeiros
Histórias velhas e cansadas de quem não pode se dar ao luxo de mais
Eu procuro o que perdi,
Mesmo sabendo que além do vento que faz estradas nas estradas que percorri
Nada dos teus olhos hoje hei de vir...
Então estas mesmas ruas se enchem de tudo que não faz sentido
As lojas vendem produtos supérfluos demais
Capazes se tornam todos de me fazer acordar
Longe dos sonhos loucos e fugazes onde tua fachada sedutora se foi sem pressa de voltar.
Incinerastes também me são as lembranças, por fim
Já me faço saudosa das dunas
Aquela casinha simples de praia
Uma rua de pescadores pobres da riqueza que é tão rica por aqui.
Outonos exibem-se com charmosas folhas a cair
Pessoas se apaixonam sem se beijarem ou consentir
Meu corpo é cansado da dor que sinto sem pedir
Anseio pelas mãos do tempo que toca profundo
Muda os rostos ao sorrir
Abranda o vento, alegra as aves por aí.
Esse oco tem nome grande, de borboleta azul
E é sorriso de criança na minha inocência
Malícia inócua em chafariz.
Dor que dói em felicidade
Saudade por que foi bom, não mera saudade
Saudade do tempo, daquele dia
Das palavras, fotografias abstratas,
Tua beleza... tudo enfim.


Simone Dutra

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Poema de dois

Uma pessoa,
Duas pessoas.
Um lugar,
O paraíso.
Um paraíso,
Nadar nua.
Muito.
Água profunda.
Solidão?
Talvez...
É uma ilha com saudade de barco.
Desejo,
Um porto, sonhando ser mar
... navegar...
É uma boca com sede.
Lucidez,
Uma ponte imóvel...
...infeliz...
É um acesso de loucura ao contrário.
Uma ironia do diabo...
... debochado!
Olhe!
Prefiro sentir...
Paixão,
Imensidão... podridão...
Saciável.
Excitação,
Egoísmo em passos largos... pés descalços...
... corpulenta navegação...
Excitação, quando os beijos estão desatinados pra saírem de sua boca depressa.
Culpa.
... Excitação é um barco à deriva, rumo à infinita imensidão...
Amor,
Cuspe puro de dor, sujo de flor, feio, sem pudor...
Amor é janela batendo com o vento num temporal de verão...
Todo se emociona pra falar de amor...
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não! Amor é um exagero... também não. É um desadoro... Uma batelada? Um exame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez por que não tivesse sentido, talvez por que não houvesse explicação, esse negócio de amor não sei explicar...
Amor é maré com raiva, de ondas iradas...
Amor é enxame de abelhas... é picada que mata... é corpo mutilado...
Da mesma maneira que o amor é doce, ele ensina a ser frio, ensina a perder.
Voo livre... sem pretensão...
Aprendiz de lição...
Não apaga nenhuma palavra...
Não paga nenhuma palavra?
Apaga os sinais?
Frio, não?
O amor não apaga nenhuma palavra, ficam todas guardadas.
Palavras frias guardadas num peito quente e terno...
Palavras doces e meigas guardadas em um peito frio e nada terno.


Sinara Dutra e Ângela Tagliapietra

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A capa e o texto


Esta semana vi, como milhares e milhares de pessoas no mundo todo, um vídeo que encantou e espantou e certamente envergonhou muita gente.
O caso é simples: uma mulher chega num palco com grandessíssima plateia e um juri de dar medo.
Ela não é bonita, nem jeitosa, jovem e nem se veste como uma primeira-dama. Mas tem algo a contar.
À sua frente, centenas de pessoas riem de sua aparência e principalmente de seu sonho, que unanimamente, soava como uma pretensão desprovida de lógica. Piada, gostosamente curtida e gozada.
Prestem a atenção nas pessoas antes dela "dizer" o que quer e precisa e no depois.
Fascinante.
Perfeito aprendizado. http://www.youtube.com/watch?v=Z2NbcTD_u0k&feature=related

Vale a pena ver.

Sinara Dutra

terça-feira, 12 de maio de 2009


Momentos

Sorrisos que nunca sumirão. Se perderão no tempo do espaço. Juntamente com os momentos felizes que gozamos um dia em nossas vidas.

Numa tarde qualquer, de um dia qualquer, nos relembraremos de momentos como este e sorriremos sozinhos, num riso saudoso e nostálgico. Triste por saber que aquela noite está muito longe de nós.

E que as madrugadas podem ser longas quando estamos sós. Mas ironicamente curtas quando cercados de quem gostamos.

E pensando nisso, após um momento de maturidade e aceitação, sorriremos, agora, um sorriso de ternura pela vida e compreensão, imaculado, recheado de saudade de quem ao nosso lado estava e que deixou sua risada gravada em cada célula de nossos corpos.

Abaixo, deixo uma música que me toca demais. Em especial, para Fernanda (Faísca), Angel (Espoleta) e Simone (garçonete).

Sinara Dutra


quinta-feira, 7 de maio de 2009




Estupidez

Estupidez, não...
Talvez outra palavra...
Qual será?
Será só uma? Duas? Frases bonitas, rimadas, ou sensacionalistas?
Ah, tanto faz.
Será palavra sobre palavra.
As pessoas se renovam em roupas infantis, chorando por comida.
Chega a ser uma ironia.
Agora as palavras começam a surgir em minha mente.
E sentimentos brotam em minha alma.
De meus olhos lágrimas.
De minha boca palavras mudas falam sobre o que não tem explicação.
Expressões que dizem uma história difícil de crer.
Quase impossível de aceitar.
É horrendo porém simples, tanto e tanto, que dá nó.
Um aperto no peito e uma falta de ar.
Sim, é tudo muito simples.
A história não tem protagonistas bonitos, tampouco gente sorrindo.
É sem cor. Sem som. Sem graça.
Cheira mal e não tem fala.
Gemidos se espalham e o espelho do desatino enxaguam as terras escuras do cenário.
De amor se entende pouco. Mas se entende, se comprime e oprime em ações pueris e selvagens.
Flores ali não existem. Apenas varais resistindo a vendavais e cicatrizes caladas em carcaças mutiladas pela vida e pela miséria humana.
Sinara Dutra

Queria

Ter um beijo que tivesse o dom de curar qualquer coisa, desde leves machucados até as angústias dos peitos mais doloridos.
Ser dotada de poderes para mudar a realidade que não aceito e não posso modificar.
Ter noções básicas de enfermagem e fosse catedrática em medicina da alma. Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e colocasse bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada. Mãos que soubessem acarinhar, mas que fossem firmes para transmitir segurança aos amigos de passos vacilantes.
Mãos que soubessem transformar um pedaço de tecido quase insignificante numa roupa especial para quem sente frio.
Por ser 'humana', deveria ser dotada de muitos pares de olhos.
Um par para ver através de portas fechadas, através de paredes, distâncias, cortinas, obstáculos, aqueles que amo.
Outro par para ver o que não deveria, o que não queria, mas que preciso saber e olhos normais para fitar com doçura uma criatura em apuros e lhe dizer: "eu te compreendo, não tenhas medo. Eu te amo", mesmo sem dizer nenhuma palavra.
Um modelo delicado mas resistente, capaz de resistir ao vendaval da adversidade e proteger os fracos, de superar a própria enfermidade em benefício dos meus amados e de alimentar uma família com o pão do amor.
Alguém com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor, mas ainda assim insistir para que o outro parta em busca do que lhe constitua a felicidade ou signifique seu progresso maior. Alguém com lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão.
Alguém de lábios ternos que soubesse cantar canções para acalmar, animar e palavras certas para alguém arrependido pelas tolices feitas.
Lábios que soubessem falar de alegrias, do universo e do amor. Que cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da vida.
Alguém diferente da imagem que vejo no espelho fiel do retrato que sou e represento na vida.
Alguém melhor.
Alguém que apenas não lamentasse.
Alguém que não fizesse, por algum ato besta, direto ou indiretamente, mal a alguém e que protegesse a todos que sentem dor e estão abandonados.
Dizer-lhes que me importo com suas dores, mas que minha fraqueza me proibe de lhes salvar do mal que eu almejo não mais ver em mim.
Sinara Dutra

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Música para reflexão
Apresento esta música, deste grande artista, Yann Tiersen, para quem não conhece. Suas melodias fazem emocionar, refletir, viajar. Abaixo, vídeo de La Valse des Monstres. E texto de
Ângela Tagliapietra.
Ninguém
Olhava o mar incansavelmente e tu não deixavas continuar.
Pensamento indo além da linha do horizonte.
Doce melodia do mar.
Calor que me desperta vontade de estar à beira mar.
Dentro da água para minha solidão apagar.
Risadas para acalmar minha mágoa.
Bebida para curar minha revolta, resgatar meu humor, animar minha desgraça.
Olhar-me nos olhos por quê?
Não me desperte só para você.
Despertar minhas fantasias por quê?
Gostas de me ver sofrer?
Resgate-me para você!
Meu desejo de beijar tua boca disparava...
Estar perto ou longe, sempre esta vacila me amofina.
Aliviado!
Livre!
Cansado!
Mergulhado em um mar de emoções.
Atirado para qualquer gesto.
Face preparada para qualquer reação inesperada.
Não posso mais sentir tua mão pequena e delicada.
Furor marcado.
Coração dilacerado por navalhas.
Saudade tão boa e pra sempre vai durar.
Ângela Tagliapietra

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Viajantes do Porvir

Quem nunca viajou sentado em sua cama numa tarde qualquer? Quem nunca fechou os olhos e imaginavelmente se autotransportou para outro local de sua escolha? Quem jamais provou um sabor em sonhos antes nunca sentido de fato? Quem nunca foi um dia, ao menos, o herói que sempre almelou ser? Aquele que, ainda criança, imaginou se tornar?
Heróis não existem. Paraíso não existe. Príncipes e fadas não são concretos. São ilusões gostosas. Casas com varanda, um jardim, com cachorro correndo e crianças brincando são utopias.
Conhecer o mundo, respirar outros ares, ver outras faces, mergulhar em outros mares. Pôr a mochila nas costas e apenas saborear a delícia de descobrir outras culturas e criaturas. Tão difícil acharmos o tempo e todo o resto de que precisamos para fazermos isso.
Adultos crescem e arrancam as cabeças de suas bonecas tão amadas outrora; adultos crescem e quebram seus bonecos de heróis de plástico. Armam-se para guerra diária; trabalham para sobreviverem; não sonham mais - não conseguem mais nem ao menos a ilusão de um amanhã mais colorido e parecido com aquele que via quando criança.
Mas há aqueles que, não por uma ação deliberada, continuam em um mundo avesso àquele que todos querem lhe mostrar que é preciso ser visto e vivido.
Prendem seus corpos em seus quartos escuros, mas não aprisionam suas mentes a quatro paredes. Viajam mesmo. A mente, a alma, o coração. Voam para águas mais límpidas; praias mais desertas; paisagens mais belas; roteiros mais emocionantes; criam seres mais interessantes; um mundo de brinquedos falantes, onde tudo é arte e música, não há opressão nem censuras, apenas o livre arbítrio de navegar em sensações que os deixam estasiados de tanto prazer, mental e corporal.
E uma vez visitando lugares que servem de refúgios para suas almas desgostosas de um desenho desanimado real, viajam durante momentos em que precisam pular de um mundo a outro, em segundos, como estratégia de sobrevivência.
Os sonhadores de olhos atentos viajam o mundo em suas varinhas mágicas invisíveis. Para sererem mais felizes.

Para Ângela Tagliapietra, a viajandona.


Sinara Dutra

quarta-feira, 22 de abril de 2009


Teatro Mágico
Reticências
Quanta mudança alcança
O nosso ser posso ser assim daqui a pouco não
Quanta mudança alcança
O nosso ser posso ser assim daqui a pouco
Se agregar não é segregar
Se agora for, foi-se a hora
Dispensar não é não pensar
Se saciou foi-se em bora
Quanta mudança alcança
O nosso ser posso ser assim daqui a pouco não
Quanta mudança alcança
O nosso ser posso ser assim daqui a pouco
Se lembrar não é celebrar...
Dura é a dor quando aflora
Esquecer não é perdoar
Se consagrou sangra agora
Quanta mudança alcança
O nosso ser posso ser assim daqui a pouco não
Quanta mudança alcança
O nosso ser posso ser assim
Tempo de dá colo, tempo de decolar
Tempo de dá colo, tempo de decolar
O que há é o que é e o que será
Tempo de dá colo, tempo de decolar
Tempo de dá colo, tempo de decolar
O que há é o que é e o que será
Reciclar a palavra, o telhado e o porão...
Reinventar tantas outras notas musicais...
Escrever o pretexto, o prefácio e o refrão...
Ser essência... muito mais...
Ser essência... muito mais...
A porta aberta, o porto acaso, o caos, o cais...
Se lembrar de celebrar muito mais...
Se lembrar de celebrar muito mais...
Se lembrar de celebrar muito mais...
Tá certo que o nosso mal jeito foi
Vital pra dispensar o nosso bom
O nosso som pausou
E por tanta exposiçao a disposiçao cansou
Secou da fonte da paciencia
E nossa excelencia ficou la fora
Soluçao é a solidão de nós
Deixa eu me livrar das minhas marcas
Deixa eu me lembrar de criar asas
Deixa que esse veraão eu faço só
Deixa que esse verão eu faço só
Deixa que nesse verão eu faço sol
Só me resta agora acreditar
Que esse encontro que se deu
Não nos traduziu o melhor
A conta da saudade quem é que paga
Já que estamos brigados de nada
Já que estamos fincados em dor
Lembra o que valeu a pena
Foi nossa cena nao ter pressa pra passar
Lembra o que valeu a pena
Foi nossa cena nao ter pressa pra passar
Cabô...
Esses caras valem a pena serem vistos e ouvidos. Sua musicalidade e arte e expressão corporal são um verdadeiro espetáculo.

sexta-feira, 17 de abril de 2009


Vida tragicômica


Complicado entender quando essa vida confusa e maluca nos manda um recado através situações nas quais nos encontramos por completo despreparados.

Parece que ela goza de nós. Que ri, que gargalheia. E aí a desgraça parece cômica. A vida, tragicômica. Isso é realmente engraçado.

As pessoas, as mais sérias, comedidas, elas vivem suas vidas inteiras falando em seriedade, censurando as maluquices, as coisas que fogem dos padrões, e isso é um tanto estranho.

Pois a vida é engraçada e maluca. E cá estamos nós, como insetos, parasitas que aqui nos instalamos e nos reproduzimos.

Mas a vida é maluca e por que não podemos ser também? Coisa mais besta, tentar fugir de nosso destino.

Não existe o enlouquecer, já nascemos loucos, porque a vida é louca e por isso o mundo é louco.

Quando dizemos que alguém enlouqueceu, perdeu os sentidos da realidade, ou da consciência, este apenas perdeu os padrões que impunhamos num mundinho inventado por nós e não aquele que nós mesmos carregamos em nossa semente desde quando nascemos. Alguns de nós nos camuflamos, e vivemos uma vida fingida, cínica, e infeliz.

A maioria deixa sua vida louca mostrar a face em alguns determinados momentos, quando se é permitido ser, que não o deixe a imagem de degenerado, impuro ou fútil.

Mas uma pequena parte solta seus músculos e se mostra para o mundo caótico e louco como a vida nos fez e é.

Além de nossas mentes, que carregam uma bagagem de toneladas de ideiais confusas, prolixas e desnexas, temos de lidar com o turbilhão de setimentos difusos do nosso campo emocional.

É muita coisa para um ser só.

Mas o mais trágico, ou o mais cômigo, são as nossas atitudes bobas e maléficas para nós mesmos.

Nos atingimos o tempo todo, e não vemos o que está bem a nossa frente - o nosso bem.

Quero dizer, além de cairmos aqui sem sequer desejarmos, em uma vida que nem sempre escolhemos e colhermos nem sempre aquilo que plantamos, inventamos mais coisas para que tudo fique ainda mais caótico e mórbido.

Mas não somos só nós os tolos.

Os sentimentos são tolos.

Nos fazem babacas, bobos.

Com medo, sem a nossa razão.

Com alegria eufórica, que nos deixa desligados e toscos, cafonas e idiotas.

Amando, desconcentrados, felizes, excitados, tristes, ameaçados, desconfiados e burros.

Vivendo, seresmos assim, todos nós, sem destinção de cor, classe social, sexo, ideais, tamanhos. Somos todos razões e sentimentos, com uma linha tenra de meio termo. Pois estamos vivendo. Não sendo assim apenas não mais aqui vivo, sentindo o pulsar de nossos corações que nunca param de trabalhar.

Somos assim, seres platônicos, egoístas, egocêntricos, sentimentais, recheados de ira, inveja, raiva. E seremos assim mesmo sem querermos.

Do contrário, botaremos uma armadura psíquica em nós e nos fecharemos para o mundo. O benéfico, o maléfico. O gostoso e o dolorido. O risco, a aventura. As dores que nos ensinam a sobreviver e a encontrarmos nossa paz.

A vida está aberta. Nós estamos vivos. A vida é um risco. Portanto estamos sob risco.

Não adianta tentarmos fugir da vida. Nosso destino.

O que é de nossa semente, carregamos conosco, para onde formos.

Fugir não é auspicioso.




Sinara Dutra


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Palhaços tristes

Num mundo onde tudo era sério, as pessoas comedidas, em tons de cinza e preto, músicas tristes melancólicas, como as de Maísa, de repente num abrir os olhos para nossa realidade, vemos um colorido que fala por si; uma liberdade que é reparada em cada fala, em cada jesto, em cada olhar.
As músicas falam de sexo, de festas, de alegria. Não existe mais o amor platônico de antigamente, mas as vinganças, consequências de traições amorosas. O próprio amor já não existe mais. Aquele amor que carregava consigo um respeito que desprendia-se de um desejo.
Progredimos em alguns aspectos e regredimos ou pioramos em outros. De fato, estamos aprendendo a andar sozinhos, com nossas próprias pernas. Cada um com seu estilo, cada um com a sua banda. É cada um na sua e deixem pra lá o cada um dos outros, como fala a gíria popular.
Nas outras épocas, a 'coisa pública' não era menos ilícita, apenas menos sabida.
Em algum tempo valioso, derrubamos presidente. Nós, o povo.
Voltando mais no tempo, e muitas vitórias de hoje começaram pelos pequenos e corajosos passos de alguns que deram sua face ao tapa, sem titubear.
E em pleno século XXI, o que de tudo vale, o que de tudo se vê e ouve, o povo ainda se prende a pequenos costumes e caretices que até os antepassados nossos ririam hoje.
Não damos mais pequenos passos para longas caminhadas futuras, como assim fizeram os jovens de outrora; não derrubamos mais presidentes, por mais podres que sejam; nem temos mais a elegância de um tempo que era, sim, em tons de cinza e preto, com canções melodiosas que falavam de amor, o amor verdadeiro, com respeito, cafona e pudico. Nosso mundo é outro.
E que pena não poder ter podido brincar na rua até o anoitecer.
Dormir com a janela aberta, para sentir o vento da madrugada ou olhar a lua cheia até o sono chegar.
Morar numa casa sem grades, sem cadeados; com um jardim cheio de flores e plantas frutíferas.
Respirar o ar puro dos jardins que hoje viraram prédios arranha-céus.
Curtir os Carnavais de antigamente, como minha mãe sempre me narra, com bastante entusiasmo e saudosismo.
As varandas... ah, as varandas...! Existiam varandas enormes nas casas. E todos sentavam ali, e conheciam seus vizinhos, e se cumprimentavam sentados em suas cadeiras de balanço.
Sou de uma geração covarde, medrosa. Destruidora, metida, vaidosa demasiado e ignorante.
Adolescentes bobos com seus narizes de palhaços invisíveis.
Não protestam, não reclamam o que é de seu direito.
Preferem pichar as praças, queimar as matas, se aglomerarem em becos escuros para descontarem em seus corpos e mentes as dores de uma alma sem forças para mudar o que não aceitam.
É mais fácil apagar a luz do que ver o tamanho da merda.
Sinara Dutra

sexta-feira, 3 de abril de 2009


Depoimento de uma, ainda, sobrevivente:


Podem ter certeza, mais do que quase ninguém, também sei como é estar (ou viver?) numa pilha. Sempre esbagaçada... com a cabeça dolorida de tanto pensar nas merdas da vida... eu chego em casa do trabalho e da aula, com a cabeça podre... e apago, simplesmente.


Às vezes, tenho a nítida sensação de que a minha cabeça É podre. Não serve para nada. Inútil.


Sinto-me a legítima "Sofrenilda" - quando consigo vislumbrar um tempinho legal, uma semaninha que "promete" um encontrinho "libertador" com os amigos, acaba sempre havendo um grandessíssimo complô universal arranjando tudo para que não aconteça o tal momento libertador.


Então, eu continuo mais uma semana frustrada, cansada, fodida, esbagaçada, confusa, perdida, angustiada, toda tensa e covarde, mas, sei lá o porquê, com uma maldita e filha da puta esperança de ainda conseguir fazer alguma coisa.


Também me sinto humilhada... e burra... e feia...
Meus colegas são todos inteligentíssimos, verdadeiros gênios, que lêem uma vez um texto de alta complexidade e já saem debatendo... e eu fico me perguntando: "como é que eles entenderam isso????
E como tem mulher bonita em Porto Alegre, né??! Que desgraça! Se eu tivesse nascido no RJ, seria bem mais vantajoso.
E mais: além de ter que acordar todo dia às 6h15min da porra da manhã (manhã...???? Madrugada!), ter que almoçar como um estivador que não almoça há um mês, chegar na aula bufando (e quase regurgitando), passar quase 3 horas por dia no ônibus, ganhar 300 pilas por mês (o que a gente faz com 300 merrécas???), ainda por cima tenho que ouvir de mané playboy que eu "não me dedico mais ao curso porque não quero”.


Ah... sem falar nas constantes dores de barriga e flatulências indesejáveis e extremamente desconfortáveis.


Alguém.

Olha a evolução do homem aí!



Esse é o futuro mais positivo de muitos (meu). Ai... ai... ai...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Loucura: apenas uma questão de ponto de vista!
Mas, para aqueles que 'ainda' pensam que não, 'tentem' ao menos entender(-nos, los):
Hino dos Malucos
Nós, os malucos, vamos lutar
Pra nesse estado continuar
Nunca sensatos nem condizentes
Mas parecemos supercontentes
Nossos neurônios são esquisitos
Por isso estamos sempre aflitos
Vamos incertos
Pelo caminho
Nos comportando estranhos no ninho
Quando a solução se encontra, um maluco é do contra
Mas se vai por lado errado, um maluco vai do lado
Malucos, a nossa vida é dar bandeira
ligando a luz da cabeceira, se a água pinga na torneira
Malucos, a nossa luta é abstrata
já que afundamos a fragata,
mas temos medo de barata
Nós, os malucos, temos um lema
Tudo na vida é um problema
Mas nunca tente nos acalmar
Pois um maluco pode surtar
Os nossos planos são absurdos
Tipo gritar no ouvido dos surdos
Mas todo mundo que é genial
Nunca é descrito como normal
Quando o papo se esgota, um maluco é poliglota
Mas se todo mundo grita, um maluco se irrita
Malucos, somos iguais a diferença
e todos temos uma crença:
seguir a lei, jamais compensa
Malucos, somos a mola desse mundo,
mas nunca iremos muito a fundo
nesse dilema tão profundo
Malucos, a nossa vida é dar bandeira,
ligando a luz da cabeceira,se a água pinga na torneira
Malucos, a nossa luta é abstrata,
já que afundamos a fragata,
mas temos medo de barata!


Os mais malucos: Rita Lee/ Fernanda Young / Alexandre Machado/ Roberto de Carvalho

Vamos brincar!
Nós, seres humanos, adoramos brincar. Realidade. Ponto.
Pouco importa qual o jogo, disputa - quando rola uma besteróide "estamos dentro". Creio que quem lê isto agora é adulto, vivido, e muito já brincou na vida. Se sim, parabéns!
O bom de brincar com adultos é que não prcisamos medir as palavras nem censurar as brincadeiras, porque adoramos (homens e mulheres de todas as idades) uma chacota, jogo ou palhaçada (ahá, não adianta mais esconder, o mundo já descobriu que serás "criança para sempre", hehe) e vais querer fazer parte desta diversão. Não tem jeito...
A brincadeira é assim: Vais pegar uma refeição apetitosa, com ingrediente principal um cadáver de porco (ou porquinho, se tiveres intimidade com o defunto), mas se não tiver, pode ser uma costelinha no forno, picanha, coraçãozinho ou coxinha de galinha, guisadinho, bifinho mal passado 'sanguentinho' etc) e vais deixar ao lado do computador, prontinho e cheiroso.
Eis as regras da brincadeira:

1)Vais resistir à refeição e nada comerá até as próximas instruções do jogo;

2)Vais assistir ao vídeo abaixo, todinho, sem tapar os olhos quando achar a cena muito 'forte';

3)Depois, vais desligar o seu computador e comer todo a refeição, começando pelo porco ou a carne segunda opção ou de sua preferência.

Boa diversão!

Obs: Não vale regurgitar.