
Ao amanhecer de um novo dia, é hora de recomeçar. Imaginar que posso recomeçar tudo de novo, construir algo novo, fazer tudo novo... e que tudo pode ser bom, e quem sabe, maravilhoso. é ou não é fascinante?!
E... só depende de... mim?
'Mente aberta, divagando, questionando, refletinho, pensando, repensando, estudando, matutando, viajando...'
Há um momento na vida em que temos a razão e a emoção em cada mão. De um lado, a razão, da mente, inteligente. Do outro o nada racional, e puramente emocional coração. Dois caminhos para abraçar. Duas fontes próprias, naturais, para apoiar-se. É necessária uma decisão. E somente tu poderá resolver. Ninguém ou nada poderá te proteger do que terás que escolher. Terás que tomar posse do rumo decidido. É teu, de ninguém mais.
Era quase manhã, quando subi na aeronave. Lindo ver o nascer do sol lá do céu. Parecia filme. Mas era eu ali, apreciando um dos momentos mais sublimes da terra, em talvez a melhor hora que exista. Adormeci. Em paz, mesmo estando tão distante do chão. Minha ida a Belo Horizonte é apenas um final de semana “alongado”. Mas é o “viajar” que me importa.
Depois de aterrissar, pés no chão, olhos na realidade. E, em BH, essa realidade vem acompanhada de um ventinho sutil, uma brisa, que me marcou desde que fui para lá pela primeira vez.
Lá, tenho a sensação de que fui engolida por algo simplesmente gigantesco. Sinto-me uma formiguinha, em meio a outras, sob aquele solzão. Novamente, estava eu lá.
Pessoas e coisas distintas aos meus olhos. Ar diferente, pessoas diferentes – com características fortes: sotaque, gírias, cor e feição.
Na semana da viagem, eu estava muito cansada da minha rotina do trabalho. Da rotina do ir e vir pra casa, depois de trabalhar o resto do dia. Precisava me refugiar em outro lugar, descansar, esquecer que existia fome e dor na terra. Pensar somente em mim, e me divertir como se fosse meu último dia.
Porém, só percebi que o que eu realmente precisava não era de férias. Nem de folga. Mas de uma fuga.
No começo, pensei que conseguira. Fugi do meu estado, da minha cidade, do meu bairro, da minha casa e da família. Mas não de mim. Não há como fugir de si mesmo.
Se estamos sofrendo algum tipo de aflição. Se não estamos de bem com a gente mesmo, não importa para onde formos, tudo vai junto conosco. Para onde for. Não há para onde fugir de nós mesmos.
E aí, então, em pé, na sacada do apartamento da zona norte de BH, que fiquei por muito tempo refletindo sobre isso, foi quando enxerguei que não estava totalmente realizada e feliz. Pois tudo que me afligia estava ali, comigo. Porque não posso fugir da minha realidade. Não por mais tempo que dura um porre. No outro dia, eles estarão todos ali, os problemas, os medos, as angústias, novamente. Só que com mais aquela dorzinha de cabeça indesejável, da cachaça.
O que eu queria, de verdade, naqueles poucos dias em que estive lá era andar nas ruas e não ser reconhecida, ou, melhor dizendo, não avistar nenhum rosto conhecido na multidão; era fingir que ali eu era uma nova pessoa, ausente de todos os meus erros passados; recomeçar – a cada novo amanhecer –, uma nova vida. Fingir que minha casa, e todos que amo não estavam lá para me esperar. Porque eu queria estar livre nem que fosse para morrer.
Estive lá, por alguns dias, e aqui, ao mesmo tempo. Corpo lá, e em algumas vezes, a cabeça aqui, na minha vidinha de todo dia. E em algumas outras vezes, totalmente lá, sem pensar que quando retornasse tudo estaria a me esperar: contas para pagar, trabalho no dia seguinte, os ônibus lotados...
Mas, como todo turista, ou quase todos, amei voltar para minha casa, minhas coisas. Amei deitar sobre minha cama gostosa. Sentir o cheiro do cachorro e do meu travesseiro.
Da viagem, as lembranças dos passeios e das pessoas que dividiram comigo aqueles dias e noites ficarão guardadas em mim. De BH, a recordação visual da cidade de subidas e descidas enormes. De casinhas pequenas com janelas estreitas, de cimento ou de tijolo à vista. Dos telhados e suas caixas d’água. Do colorido das pipas enroladas nos fios elétricos, lúdico e singelo. Simples, como o povo mineiro. Fechado, pouco simpático, a meu ver, mas simples e humilde.
Era o que eu precisava para me entender.
Os estrangeiros estão rindo do país que elegeu um palhaço para cuidar dos interesses do povo. Não sei se eles sabem que o Brasil, infelizmente, é um país que elege políticos que fazem da política nacional brasileira um verdadeiro circo.
O mais curioso disso seria o contraste: um palhaço, que faz as pessoas rirem, colorido, divertido, de fala fácil, num ambiente de engravatados, sérios, de falas rebuscadas. Num tom escuro; em preto e branco. O que um palhaço fará lá? Irá de gravata cor vermelha?
O que é mais contraditório, afinal? Um palhaço na Câmara de Deputados, ou políticos vergonhosos, roubando às claras o dinheiro do próprio povo pobre que o elegeu?
E o que seria mais favorável ao povo? Que um palhaço semianalfabeto tenha boas intenções de ajudar ao povo miserável, ou um intelectual diplomado olhando apenas para seu umbigo? Quem seria mais útil a ele?
De fato, agora, rindo mesmo está este palhaço, neste momento, com todo seu 1,3 milhão de votos. Esta é cara dos políticos no Brasil: de palhaço. Só que a diferença é que alguns são mascarados (ocultos), e outros não.
Mas acontece que até mesmo o país do oba-oba tem suas leis. E elas, às vezes, não são cegas. (Só às vezes). E por este motivo, um dos grandes acontecimentos deste ano de 2010 poderá não tomar o rumo correto. E o palhaço talvez fique de fora do espetáculo do circo, ironicamente.
Preconceitos e opiniões à parte, não podemos ignorar quase um milhão e meio de brasileiros que elegeram um palhaço, sem estudo, para lhes representar. O que isso realmente significa? Alguns poderiam dizer que apenas ignorância. Eu diria que ignorantes também são aqueles que continuam votando em quem lhes roubou.
A verdade é que estamos ficando sem opções boas. E sempre a mudança é positiva; ou mesmo a piada, para que possamos, ao menos, enxergarmos as coisas de um outro modo. Ou um modo mais divertido.
Para mim, a experiência e as discussões já valem... além das risadas.

Do precário conhecimento que tenho do ‘mundo da sobrevivência’, me basta para ter por ele total antipatia. E dos poucos anos submergida nesse ‘mundo’ – devorador de autenticidade –, já me sinto atolada na lama, a qual jurei, sem credibilidade, em meu pleno castelo de autoafirmação, numa juventude isenta de medo e repleta de planos, mergulhar.
Nessa batalha diária por um lugar ao sol, o que conseguem os incríveis guerreiros da moeda é continuar perto do chão. Pois, apenas não mais basta labutar por vitória, tem-se que confrontar com indivíduos demais que, desesperados pela luminosidade ao final do túnel imundo e fétido, atropelam quem a escada ao alto está a escalar.
Inocentemente, os homens ainda pensam padecer nas nuvens após conseguir pagar todas as contas daquele mês. Adormecerá cantarolando e abrirá os olhos de um novo amanhã debaixo de uma tempestade.
Vestir-se pela manhã gelada de invernos brancos para subir e descer degraus nas ruas, batendo ombros com outros malandros; tropeçando e caindo e levantando para sobreviver do jeito que der ou puder. Desmoralizados e já por si desculpados pelo almejo do empurrão ao mais próximo. A cada queda, difícil se ter compaixão por alguém a não ser de si mesmo. Ignorando e negando, calado, a mentira de assumir falsamente que apiedar-se de si é a coisa mais terrível que existe. Pois quem sente o que sente quando vê-se rastejando à humilhação, sabe que não existe coisa pior do que lamber o sentimento da pena. Tanto, que outros, todos, se apequenam a ele – o sentimento da autopiedade.
É triste o quanto o dinheiro é importante para os homens. Capaz de causar os piores e mais baixos atos e sentimentos. Que fazem matar, roubar, mentir, enganar, tudo por ele... que cria vida toda vez que atormenta uma alma.
O mundo da sobrevivência é cheio de esperanças de sorte. E alguns experimentam beiras de abismos por nela crer – a sorte; raros beijam a face da alegria completa - efêmera.
Existem os que conseguem manterem-se submersos num furioso mar de ‘afogandos’ e afogados. Remando com suas mãos suadas e gananciosas. Burra, toda ela, rendida a uma maquinaria de sofrimento que favorece alguns poucos e esmigalha virtudes riquíssimas e nobres.
Burros? Diriam que não todos aqueles soberbos acerca de suas façanhas. Talvez noites em claro, agonizando em cefaléia ou cólicas de diarréia, travados em uma cadeira dura, sem fraquejar. Construindo, assim, seus palacetes merecedores de seus donos. À contrapartida, tantos quantos o mesmo fazem, e nem sequer vislumbram a ponta do paraíso. Chamaríamos isso de quê? Quer saber... Não importa!
Amanhã os guerreiros da moeda vestir-se-ão para a peleja, com arma ou sem arma punhada.
Me perguntam por que sou vegetariana. E ainda fazem cara de espanto às minhas explicações.
Me perguntam por que sou VEGANA. E ainda fazem cara de que não entendem quando explico.
Sou VEGANA porque repudio todo e qualquer tipo de mal a qualquer espécie, racional ou não, ou com outro tipo de raciocínio, coisas as quais não saibamos.
É isso, nós, SERES HUMANOS, não sabemos e entendemos de TUDO.
A imagem e a música falam tudo o que sinto.
Sinara Dutra
Eu... estava pensando... em como as pessoas se tratam com seus montros. Falo dos monstros que moram dentro de nós. Sim, todos nós temos um monstro habitando em si.
A solitária
Décadas de 80, 90. A música soa à voz da "moderninha" Marina Lima.
O estandarte do sanatório geral de Chico BuarqueA intérprete da vez: Maria Bethânia. Veja abaixo.
Por Sinara Dutra
Me apaixonei pela Bethânia faz poucos meses. Bastou ouvir Fera Ferida, gravação marcante feita por Roberto e Erasmo Carlos para que eu me interessasse por tudo que ela fazia.
E ao procurar e ver o que era Bathânia, apenas constatei a diva, a majestosa mulher e cantora que contribiu com a construção da música popular brasileira - rica e deslumbrante.
Ela tinha dezessete anos quando saiu de uma cidadezinha no estado da Bahia, chamada Santo Amaro. Tímida, tranquila e dona de uma voz forte e suave.
Caipira e admitida caipira, diz que acha a caipirice a coisa mais chique do Brasil, e mais, que duvida que uma pessoa com seu juízo no lugar não queira uma casa no interior.
Pensou em não cantar por vergonha, timidez.
Nega convites de entrevistas, programas, apresentações porque prefere a sua casa, porque prefere cozinhar para os amigos e tomar cerveja para rir um pouco e viver seu lado criança o maior tempo possível onde se encontra à vontade.
Caipira tímida que, quando sobe no palco deixa a menina de Santo Amaro, e revela a mulher forte, macho sim senhô, e cheia de escrúpulos que quando abre a boca faz com que todos presentes se calem para apreciarem tamanha perfeição de voz e uma simplicidade generosa numa carcaça áspera de pés sujos e postura entregue à fotografia da arte em forma de mulher.
Intérprete, foi a primeira mulher a superar a marca de 1 milhão de cópias vendidas de um álbum.
Intérprete que homenageia àquele que tem sua canção gravada por ela pela tamanha carga de dramaticidade dada por si nos palcos e em cada letra falada/cantada pela voz anasalada, completamente inconfundível.
Gravou mais de cinquenta discos que não seguiram nenhuma regra. Nunca gravara nada que não quisesse, falado algo que não pensasse ou cantado algo que não se encaixasse com pedaço de si
Como não posso deixar aqui as centenas de obras adaptadas por Maria Bethânia, deixo uma pedida de um vídeo com uma canção cantada e interpretada por ela, de Rita Lee.
http://www.youtube.com/watch?v=P0vMLr1vYko
Conheça a musicalidade de Maria Bethânia.
http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/ver/maria-bethania
Luta pela vida
Nos bastidores da "festa"
Religasurfe
