segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Acostamento

Alguém já chegou ao ponto de ter certeza de que está no caminho certo? Já sentiu-se pleno na vida? Consigo, com os outros?

Eu sou uma grande roda gigante. Subindo e descendo devagar. Causando, às vezes, um grande mal estar. Enjoo. Ânsia.

Fico parada no tempo, de tempo em tempo. A vida ao meu redor é movimento. E eu fico vendo as coisas passarem por mim. Na dúvida de qual direção tomar. Nessa indecisão, eu vejo os anos passarem por mim.

Esse stop que eu dei na viagem está me causando arrepios.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Infância

Lembro-me que quando criança, o colorido das luzes nos parques de diversões me fascinavam. Os pisca-piscas natalinos. O cheiro de bolo de chocolate. Na minha infância, tudo era absorvido com tanta atenção, sentido com tanto apreço. As coisas me fascinavam, me encantavam. Eu era facilmente impressionável. Sorria a algum novo invento. Saboreava as novas músicas e danças pela televisão com a simplicidade de criança. Ria gostosamente com qualquer piada, quando estava feliz. Era fácil estar feliz. Sempre existia alguma brincadeira. Eu brincava!

Cresci e não teve jeito, conheci o outro lado do viver. O lado onde os problemas, as decepções, os sonhos que ficam pelo caminho, a batalha pelo dinheiro que paga a sobrevivência e garante lazeres ocupam a maior parte de nossos pensamentos e ações.

E é triste ver as crianças de hoje não vivendo suas vidas de criança. Amadurecendo tão cedo. Falando como adultos e vivendo toda violenta realidade que me era escondida ou mascarada. Posso dizer que fui protegida do mal. Fui poupada do ruim. Do amargo, do difícil. Devo agradecer à minha mãe por isso, por ter me livrado por algum período dessa morbidez.

Tempo bom aquele em que eu não sabia o que me aguardava.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Amy Winehouse


Em 16 de setembro de 1983, nascia eu. Depois de assistir à minha irmã deixar o espaço em que dividimos por nove meses juntas, fiquei ali por dez minutos, só, sem que ninguém sequer soubesse da minha existência. Dois dias antes, em Londres, nascia Amy Winehouse, exatamente em 14 de setembro de 1983.
Anos depois, assim que ouvi sua voz, foi paixão à primeira ouvida. Uma voz rouca, afinada, intensa. Mas foi com Love Is A Losing Game que eu captei algo a mais. Sentimentos transbordavam das palavras pronunciadas. Parecia que as letras desmanchavam em sua boca. Ela era uma romântica assumida. E foi por causa dessa romântica composição, de uma história vivida por ela mesma, que conheci a autobiografia cantada da vida cheia de amores e desastres de Amy Winehouse. Seu álbum Back to Black é completamente autobiográfico.
Fora ela quem popularizou o jazz. Quem lançou moda ao se vestir de maneira essêntrica, característica de sua personalidade forte e decidida. Quem mostrou o seu talento e a coragem ao subir aos palcos para fazer o que de mais belo sabia. E que, com isso, influenciou a vida de milhares de pessoas pelo mundo todo. Ela dizia: "O que não quero é morrer sem ter contribuído com algo para a história da música". Ela não fez só isso. Fez muito mais.
O fato da Amy compor suas canções com o calor de quem conta os seus males, fez com que as pessoas se identificassem com o que ela cantava. Um dos discos mais vendidos do século 21 fora o seu. Sua música, que conta o íntimo drama da reabilitação, foi a música mais influente do início desta década.
Isso é o que importa. O resto, é resto. O que merece atenção quando o assunto é Amy Winehouse é seu legado musical. Suas canções e sua voz.
Uma voz que não morrerá nunca. Uma voz única.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Pessoas incomuns

Antes de criticar, eu quero deixar uma coisa bem clara aqui: eu sou muito curiosa. E óbvio que me interesso por tudo que é diferente. Certo, agora vou criticar.

Que coisa mais chata o tipo de gente que não se toca e fica encarando, com uma expressão de “o que é isso?”, outras, com alguma deficiência física, mental, ou característica peculiar. Um anão; uma pessoa com roupas sujas, rasgadas ou tênis furado; com alguma anomalia; um obeso.

Eu sei que isso foge do normal. Sei que dá vontade de ficar olhando. Eu também dou uma olhadinha, disfarçadamente, para o que é incomum, é inevitável. Mas sempre procuro não deixar a pessoa ver. Imagino que ela deva sentir-se mal com tantos olhares curiosos. Eu me sentiria.

E tem gente que fica ainda cochichando. É muito constrangedor. Não sei se sou só eu, mas é tão fácil botar-se no lugar do outro!

E mais, o mínimo de educação, de discrição, não é pedir de mais. É o básico.

No mais, desde que o mundo é mundo, há pessoas diferentes, e até raras. Mesmo assim, continuam sendo pessoas, gente, como nós, que também temos nossas particularidades, que também nos fazem distintos de forma singular de qualquer outro ser humano que exista; o nosso conjunto de características nos faz único, e, portanto, completamente diferente dos demais. Acompanharam meu raciocínio?

Hoje peguei o metrô e vi algumas situações que me causaram mal estar, por isso escrevi esse texto, porque precisava botar para fora essa indignação que senti. Que sirva de bem para alguém.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Eu em mim

Às vezes, tento me achar dentro de mim. Parece que eu me perco, quando me dou na telha, dentro do meu corpo.
Fico horas, desesperada, tentando achar algum sorriso meu. E por dias, parece que resolvo tirar férias daqui. Vou pra sei lá onde. Fazer sei lá o quê.
Sempre que retorno em mim, desconheço meu corpo. Logo quero cortar o cabelo, usar roupas novas, falar outras gírias, sentir outros sabores. Compro outro celular, um computador, baixo uma música nova, e experimento uma outra cara. E me mudo um pouco mais outra vez.
Não sei, parece que enjoo de mim. Da minha voz, do meu jeito de pensar. Tomo porre de mim ao ponto de eu me detestar e fugir.
Boto na mochila a bagagem de anos, e sobre os ombros carrego minha vida inteira pelas estradas.
Mas aí vem as noites solitárias, de céu estrelado, brisa suave, clima agradável, e eu recordo dos sonhos passados. Sou eu, bem novinha, sonhos imaturos e sãos; um brilho nos olhos empolgante e muita coragem de ser quem eu sou. E então estou de volta em casa, a velha e boa casa que abriga minha alma.
Um lar modesto, sem luxo, mas com uma imensa varanda que me abriga do sereno quando resolvo dormir olhando as estrelas. Com flores do campo plantados no jardim, que me fazem ver a beleza do mudo além dos horrores do homem.
Essa sou eu, mais uma vez. Unida comigo mesma. Conectada comigo. Eu e meus sentimentos. Confusos. Tímidos. Profundos.
Eu, reinventada a cada dia.. Renovada a cada instante.
Movida por uma vontade absurda de ser, cada vez mais, e definitivamente, feliz.
Simples assim.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Morte aos 27

Com 27 anos, começo a imaginar minha vida findar agora, e começo a pensar em quantas coisas não fiz. Isso tudo porque existe uma boa quantidade de pessoas que brilharam no mundo musical que vieram a perder a vida exatamente na idade em que me encontro hoje. Algumas delas buscaram sua morte, bebendo e se drogando até morrer, outras foram encontradas mortas em piscinas, banheiras, sem muitas explicações. Confesso que talvez fosse triste vê-las hoje em dia, sem brilho algum, buscando palavras bonitas para criar letras pop’s para se alimentar. Mas como saberemos o que elas seriam nos dias de hoje? Será que o fato de elas terem morrido as tornam melhores a nós? Vamos pensar, se Gal Costa tivesse morrido na sua meia idade, ela seria considerada um mito da música brasileira, ou talvez a melhor cantora brasileira de sua geração, e essas coisas todas que se fala quando um artista morre. Mas ela não morreu. Pelo contrário, viveu e cantou, e canta, muito. Gravou mais vários outros discos depois da meia idade, incluindo sucessos marcantes. Mas hoje está aí, na prateleira de cantores esquecidos. E aí ninguém fala que é a melhor disso ou daquilo. O fato é que, 27 é uma idade difícil, eu que sei... e vejamos nossa lista:

O guitarrista Jimi Hendrix morreu de overdose, em 1970, aos 27 anos. A cantora Janis Joplin, também de overdose, no mesmo ano, aliás, poucos dias após, também com 27. Ninguém menos do que Jim Morrison, poeta, vocalista dos Doors, em 1971, morreu de overdose aos 27 anos. O guitarrista Brian Jones, fundador dos Rolling Stones, em 1969, por afogamento, morto aos 27 anos. Kurt Cobain, vocalista e guitarrista do Nirvana, se matou com 27 anos em 1994 com um tiro de espingarda na cabeça. Gary Thain, ex-integrante do Uriah Heep, em 1975, de overdose, aos 27 anos. Robert Johnson, um puta guitarrista de blues dos anos 1930, que morreu quando bebeu uísque envenenado num bar aos 27 anos de idade. Brian Cole, baixista do Associations, com 27, morre de overdose. Alan Wilson, vocalista dos Canned Heat, morre de overdose com 27 anos. E a lista só para aqui porque eu quis. Afinal, aqui sou eu quem mando. Ora, o blogue é meu! To brincando... para por aqui porque a listinha é maior do que a minha paciência.

O que importa é que listei aqui as figuras mais importantes (para mim) que morreram com apenas 27 anos de idade. Espero que a figura mais importante para mim não morra também aos 27.

É isso, se tens 27, se cuide.

Fui!






quarta-feira, 22 de junho de 2011

Felicidade















No amarelo? Do sol?

Ou na violeta... das violetas?

Um arco-íris no céu?

Que cor terá?


Na magia dos sonhos...

Nas canções ou poesias...

Nas manhãs de outono...

No amanhecer de cada dia?


Onde ela está?


Nas esquinas da cidade povoada?

Nas gargalhadas nos botecos às madrugadas,

Ou nas águas profundas do mar?


Na pureza da inocente criança

Ou na malícia do homem sacana?

Nos espontâneos gestos humildes,

Ou nas loucuras das paixões insanas?

terça-feira, 31 de maio de 2011

Música ou poesia

Religasurfe

Enquanto a próxima onda
fico a esperar,
fecho meus olhos,
remo devagar.

No sobe e desce da água,
como um barco a navegar.
Me sinto como um viking,
sem nenhum receio do mar.

Celebro a água, a brisa e o sol,
tudo a me tocar.
E, juntos, nos tornamos um todo,
um só corpo a dançar.

Feliz está minh’alma
que quase chora ao constatar
o quanto de tão pura vida
tenho dentro a pulsar.

Sem saber ao certo como,
sinto a nova série de formar.
Cessam os sons, os pensamentos,
até a gaivota pára no ar.

Tudo parece um sonho,
Daqueles que não se quer acordar.
Mas, abro os olhos, remo para o horizonte,
é hora de tudo recomeçar.

Vanderlei Dutra Filho
(Republicação)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Síndrome do Pânico

"Repentinamente, o coração dispara vindo acompanhado de tontura e falta de ar. Um terrível sentimento de morte iminente sufoca o âmago. Alguns minutos depois, tal estado de extrema ansiedade pode desaparecer, mas a pessoa fica atormentada apenas pela expectativa de que uma outra crise aterrorizante possa ocorrer sem avisar e com a pessoa totalmente indefesa ou vulnerável. É como se ela se sentisse ameaçada o tempo todo, com algo terrível e prestes a acontecer, sem que ela possa prevenir."

Foi mais ou menos isso que eu senti quando voltava para casa após um dia de trabalho, em janeiro de 2005. Devia ser meio-dia, mais ou menos. O sol queimava, de tão forte. Recordo de não ver bem, de o sol ofuscar minha visão e sentir uma tontura, me fazendo cambalear o corpo, que bateu numa grade de uma casa.
A partir daquele dia, minha vida acabou, e outra começou.

Eu mudei. Minha rotina mudou. Minha visão do mundo mudou. Das coisas.
Antes, eu sequer pensava em nada quando me convidaram para simplesmente dar uma caminhada. Eu apenas levantava e ia caminhar. Era mecânico, espontânio, natural. Agora, eu penso, reflito sobre a atividade a qual farei. Em qual lugar andarei, se terão muitas pessoas. Se levarei dinheiro, para caso eu precise comer ou beber algo (fatores como sede e fome me causam crises), tenho que pegar remédios para o caso de uma crise etc.

Parece supersimples falando. Parece que é até exagero. Mas eu queria muito que as pessoas fizessem um exercício(zinho), já que pus aqui minha cara ao tapa, e tentassem, DE VERDADE, lembrar-se ou imaginar-se em uma situação de pânico - uma situação de horror, pavor, não é medo - e sentissem isso por alguns instantes. (Agora). Lembre-se ou imagine o calafrio, o coração disparado, o pavor tomando conta de tudo, corpo, alma, alterando o raciocínio, a percepção de longe, perto, alto, baixo.

Faz anos que convivo com o pânico, quase que diariamente comigo, andando comigo, para onde vou. Já tenho os meus métodos que amenizam os sintomas, mas mesmo assim, veterana, posso assegurar que na hora H, a morte SEMPRE parece iminente.

Quero pedir aqui, também, que as pessoas respeitem mais esta doença. E quero muito dizer algumas coisas:
Primeiro: Síndrome do pânico e depressão não são a mesma coisa e nem sempre quem tem uma, tem a outra.
Segundo: Quem tem síndrome do pânico não é louco, não é lunático, não tem esquizofrenia ou algo assim.
Terceiro: Não banalizem a doença. Não é porque um dia alguém teve fortes dores no peito, por exemplo, pensando ter um enfarto, mas não teve, que ele tem síndrome do pânico. Nem sempre quem não quer sair de casa tem síndrome do pânico. A síndrome do pânico virou moda. Todo mundo hoje "tem" síndrome do pânico. Quando não se sabe o que a pessoa tem, fala-se que a pessoa sofre de síndrome do pânico.
Vou esclarecer: As pessoas, todas, podem ou não ter várias crises de pânico ao longo de sua vida e mesmo assim não sofrerem da síndrome; síndrome do pânico tem aquele que sofre crises quase que ou diariamente. Que muda sua vida em função desse transtorno.
E nunca, nunca diga uma frase como esta: Ai, hoje eu tive uma síndrome do pânico.
Você vai pagar mico!

Fui!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Os anos

Estava eu caminhando hoje pela manhã por longa avenida para chegar ao meu trabalho, quando lembrei de uma fala, de um guru indiano, em um filme, que, quando perguntado sobre sua idade, respondeu: “101, ou 63” (alguma coisa assim), e deu de ombros, sorrindo, como se ignorasse a importância da resposta. E fiquei refletindo sobre isso.

Realmente, que bobagem! Qual a sua idade? É uma das primeiras perguntas que fazemos quando conhecemos alguém. Por que será essa mania? O que há de importante na informação de quando tempo a pessoa está viva?!

Idade, hoje – muito mais do que antigamente –, nada tem a ver com conhecimento, maturidade, inteligência, beleza etc.

E nem mesmo as experiências que a vida nos proporciona nos falam os anos que vivemos. Há gente que nunca saiu de sua cidade, que cultiva rotina simples, e outras que logo chegaram à terra e rodaram o mundo, perderam entes queridos, experimentaram tragédias.

A idade só nos ajuda a tentar “controlar, organizar e programar” nossas vidas. Como se pudéssemos saber quantos anos viveremos... como se tivéssemos controle sobre o que faremos... como se não fôssemos, sempre, surpreendidos a todo momento, fazendo com que mudemos nosso planos a cada hora... como se soubéssemos o que iremos querer no amanhã.

Então, quando estava quase chegando ao meu destino, entendi, ou melhor, lembrei-me o porquê a idade, ou seja, os anos que uma pessoa tem, é tão importante: porque existe a morte!

Não é regra, podemos morrer daqui a um segundo – aliás, quando leres isso, eu mesma poderei não mais estar aqui - , mas partimos, todos nós seres humanos, da premissa de que morreremos velhos. E quanto mais os anos passam, significa que a morte está perto.

Além disso tudo, com a idade, vêm as diferenças hormonal, física e temperamentais...

Confesso que pensar na velhice me assusta... mas isso é papo para outro dia.

Até.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Para tudo!

Como é que é? Ah... casamento do príncipe e da plebeia.
E... o que é que tem isso?
Fiquei enjoada com o que vi ontem, na televisão. A repercussão do casamento de dois estranhos, conhecidos na mídia apenas porque o rapaz é filho de um príncipe, da Inglaterra, conhecido por escândalos na vida conjugal e amorosa, e que é de família Real (o que isso significa, mesmo? - juro que não entendo). Mas... o que eles SÃO de verdade? Além de ele ser príncipe (não sei o que isso me diz), e ela noiva dele, o que são, quem são? Ninguém sabe. Ninguém quer saber. Só são fãs. Fãs do quê????????????? Por quê??????? Só por que nasceram ricos e bonitos?
Essa coisa de monarquia me dá náuseas. De "sangue azul", de nobreza. Nobreza para mim é outra coisa...
A matéria falava: Será que a noiva vai se atrasar? Princesa Diana também se atrasou... 30 segundos.
E o que isso tem de relevância na vida?
Fico chocada quando as pessoas se revelam fãs de pessoas apenas porque são bonitas. Aí saem nas ruas e têm a coragem de pedir autógrafo de alguém só porque essa pessoa nasceu bela fisicamente. Como assim??????????? Juro que não consigo entender. É mais forte do que eu... muito mais!
Povinho desgraçado esse. Me dá vergonha. Quanta pobreza.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Recomeçar


Ao amanhecer de um novo dia, é hora de recomeçar. Imaginar que posso recomeçar tudo de novo, construir algo novo, fazer tudo novo... e que tudo pode ser bom, e quem sabe, maravilhoso. é ou não é fascinante?!
E... só depende de... mim?

sexta-feira, 11 de março de 2011

Por onde seguir

Há um momento na vida em que temos a razão e a emoção em cada mão. De um lado, a razão, da mente, inteligente. Do outro o nada racional, e puramente emocional coração. Dois caminhos para abraçar. Duas fontes próprias, naturais, para apoiar-se. É necessária uma decisão. E somente tu poderá resolver. Ninguém ou nada poderá te proteger do que terás que escolher. Terás que tomar posse do rumo decidido. É teu, de ninguém mais.
Junto, o medo vai enfraquecendo as pernas. Fazendo as pegadas mais apagadas e o caminhar fraquejante. As esperanças inexistem, e apenas os fatos e sentimentos dominam o campo. Não há lugar também para pressa. Ela pode fazer a dor aumentar. Ou fomentar uma decisão precipitada, e incorreta.
Na vida de um homem não somente uma vez ele se encontrará atordoadamente perdido em si mesmo. E não há como aprender com as experiências iniciantes. Cada dor tem um sabor. Assim como a felicidade, como os amores.
Então, quando em um destes momentos, levantei normalmente, separei o lixo, o levei para a rua, levei os cachorros para passear, dei comida aos gatos, tomei banho, arrumei-me, ajeitei minhas coisas e saí para trabalhar. Caminhei e deixei o vento bater. Sofri. Pensei: O tempo vai dizer o que fazer.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Tarde de possibilidades ocultas

Hoje a tarde é de sol, embora as núvens por segundos o cubram. Um vento soave anuncia a próxima estação a chegar.
Um tédio mortal me toma inteira. O corpo inerte, mas a mente cavalga campos afora. Voa, para o futuro, para o passado.
A vida aqui, me tocando com o vento, no meu rosto. Com o balançar das árvores. O perfume das rosas. O canto dos passarinhos. O céu azulado, nublado. A chuva. As canções. Tudo que há de mais natural. Estou viva. Sou vida.
Estou no meu melhor momento, pois este momento, agora, é totalmente meu. Estou livre para fazer o meu amanhã. Que será meu presente, e meu passado. Portanto, estou com minha vida em mãos. No rumo da minha estrada. E posso virar à esquerda, à direita, recuar, avançar. Posso inventar, improvisar. Quem guia sou eu. Estou no volante. Estou no comando.
Embora me sinta à bordo de um navio sem timão. Sem direção. Navegando em mares infinitos e águas geladas. Sabendo que só verei muito além de hoje, talvez na velhice, se ela me vier, as tantas oportunidades à minha frente. Tantas e tão claras, estendendo suas mãos no ramo das esperanças.
Triste saber que só as verei quando não mais as terei. Saber que olharei para meu passado e verei a vida cheia de possibilidades que vivia. E que agora me são ocultas.
Por que não as enxergo? Por que me sinto cega a tudo de bom que posso tocar? Que posso fazer? Hoje. Neste exato momento que... passou.
Ainda sem saber qual rumo tomo, permaneço impressionada em como uma tarde pode ser infinitamente longa e uma vida toda, tão rápida e efêmera.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Inútil tentativa de fuga

Era quase manhã, quando subi na aeronave. Lindo ver o nascer do sol lá do céu. Parecia filme. Mas era eu ali, apreciando um dos momentos mais sublimes da terra, em talvez a melhor hora que exista. Adormeci. Em paz, mesmo estando tão distante do chão.

Minha ida a Belo Horizonte é apenas um final de semana “alongado”. Mas é o “viajar” que me importa.

Depois de aterrissar, pés no chão, olhos na realidade. E, em BH, essa realidade vem acompanhada de um ventinho sutil, uma brisa, que me marcou desde que fui para lá pela primeira vez.

Lá, tenho a sensação de que fui engolida por algo simplesmente gigantesco. Sinto-me uma formiguinha, em meio a outras, sob aquele solzão. Novamente, estava eu lá.

Pessoas e coisas distintas aos meus olhos. Ar diferente, pessoas diferentes – com características fortes: sotaque, gírias, cor e feição.

Na semana da viagem, eu estava muito cansada da minha rotina do trabalho. Da rotina do ir e vir pra casa, depois de trabalhar o resto do dia. Precisava me refugiar em outro lugar, descansar, esquecer que existia fome e dor na terra. Pensar somente em mim, e me divertir como se fosse meu último dia.

Porém, só percebi que o que eu realmente precisava não era de férias. Nem de folga. Mas de uma fuga.

No começo, pensei que conseguira. Fugi do meu estado, da minha cidade, do meu bairro, da minha casa e da família. Mas não de mim. Não há como fugir de si mesmo.

Se estamos sofrendo algum tipo de aflição. Se não estamos de bem com a gente mesmo, não importa para onde formos, tudo vai junto conosco. Para onde for. Não há para onde fugir de nós mesmos.

E aí, então, em pé, na sacada do apartamento da zona norte de BH, que fiquei por muito tempo refletindo sobre isso, foi quando enxerguei que não estava totalmente realizada e feliz. Pois tudo que me afligia estava ali, comigo. Porque não posso fugir da minha realidade. Não por mais tempo que dura um porre. No outro dia, eles estarão todos ali, os problemas, os medos, as angústias, novamente. Só que com mais aquela dorzinha de cabeça indesejável, da cachaça.

O que eu queria, de verdade, naqueles poucos dias em que estive lá era andar nas ruas e não ser reconhecida, ou, melhor dizendo, não avistar nenhum rosto conhecido na multidão; era fingir que ali eu era uma nova pessoa, ausente de todos os meus erros passados; recomeçar – a cada novo amanhecer –, uma nova vida. Fingir que minha casa, e todos que amo não estavam lá para me esperar. Porque eu queria estar livre nem que fosse para morrer.

Estive lá, por alguns dias, e aqui, ao mesmo tempo. Corpo lá, e em algumas vezes, a cabeça aqui, na minha vidinha de todo dia. E em algumas outras vezes, totalmente lá, sem pensar que quando retornasse tudo estaria a me esperar: contas para pagar, trabalho no dia seguinte, os ônibus lotados...

Mas, como todo turista, ou quase todos, amei voltar para minha casa, minhas coisas. Amei deitar sobre minha cama gostosa. Sentir o cheiro do cachorro e do meu travesseiro.

Da viagem, as lembranças dos passeios e das pessoas que dividiram comigo aqueles dias e noites ficarão guardadas em mim. De BH, a recordação visual da cidade de subidas e descidas enormes. De casinhas pequenas com janelas estreitas, de cimento ou de tijolo à vista. Dos telhados e suas caixas d’água. Do colorido das pipas enroladas nos fios elétricos, lúdico e singelo. Simples, como o povo mineiro. Fechado, pouco simpático, a meu ver, mas simples e humilde.

Era o que eu precisava para me entender.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Um palhaço?

Os estrangeiros estão rindo do país que elegeu um palhaço para cuidar dos interesses do povo. Não sei se eles sabem que o Brasil, infelizmente, é um país que elege políticos que fazem da política nacional brasileira um verdadeiro circo.

O mais curioso disso seria o contraste: um palhaço, que faz as pessoas rirem, colorido, divertido, de fala fácil, num ambiente de engravatados, sérios, de falas rebuscadas. Num tom escuro; em preto e branco. O que um palhaço fará lá? Irá de gravata cor vermelha?

O que é mais contraditório, afinal? Um palhaço na Câmara de Deputados, ou políticos vergonhosos, roubando às claras o dinheiro do próprio povo pobre que o elegeu?

E o que seria mais favorável ao povo? Que um palhaço semianalfabeto tenha boas intenções de ajudar ao povo miserável, ou um intelectual diplomado olhando apenas para seu umbigo? Quem seria mais útil a ele?

De fato, agora, rindo mesmo está este palhaço, neste momento, com todo seu 1,3 milhão de votos. Esta é cara dos políticos no Brasil: de palhaço. Só que a diferença é que alguns são mascarados (ocultos), e outros não.

Mas acontece que até mesmo o país do oba-oba tem suas leis. E elas, às vezes, não são cegas. (Só às vezes). E por este motivo, um dos grandes acontecimentos deste ano de 2010 poderá não tomar o rumo correto. E o palhaço talvez fique de fora do espetáculo do circo, ironicamente.

Preconceitos e opiniões à parte, não podemos ignorar quase um milhão e meio de brasileiros que elegeram um palhaço, sem estudo, para lhes representar. O que isso realmente significa? Alguns poderiam dizer que apenas ignorância. Eu diria que ignorantes também são aqueles que continuam votando em quem lhes roubou.

A verdade é que estamos ficando sem opções boas. E sempre a mudança é positiva; ou mesmo a piada, para que possamos, ao menos, enxergarmos as coisas de um outro modo. Ou um modo mais divertido.

Para mim, a experiência e as discussões já valem... além das risadas.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Desistir

Sim, desisti! Não vou me render a disputas pequenas. Não falo mais com quem não me entende. Desisti, também, de tentar fazer-me clara e sensata. Assim, como salvar a verdade, com real intenção de propagar o certo.
Desisto de ser a correta, ao entrar e sair do lado certo da porta do trem. De achar que estou dando o exemplo com meus atos, e que as pesssoas estão olhando como ajo, e aprendendo algo. Porque reparam nas coisas ao seu redor, e tentam melhorar, como eu. Porque querem ser melhores, ou ao menos, mais justos, como eu tento, sempre. E que se espelham em quaisquer coisas vistas ao longo de um dia, enquanto dirigem seus carros para o trabalho, seguram-se firmes nos ônibus, navegam na internet ou conversam numa praça.
Desisti, sem culpa, de acreditar que o homem vale a pena. Quando ligo a televisão e assisto ao circo de horrores que produzem. Desisto de tentar ter esperança, ou de crer em algum deus que me ilumine, para fortalecer minha fraqueza de desistência. Para ser mais corajosa, e mais paciente, e mais persistente. Porque é assim que temos que ser.
Desisti.
Desisti, sem querer, de desistir de ser aquela que me desperta vontade de viver. Que se incomoda com a injustiça, e que não desiste de ser diferente apenas para ser igual. Porque é assim que consigo ser.
Enfim, de tudo, desisti, inclusive de desistir de desistir...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Guerreiros da moeda

Do precário conhecimento que tenho do ‘mundo da sobrevivência’, me basta para ter por ele total antipatia. E dos poucos anos submergida nesse ‘mundo’ – devorador de autenticidade –, já me sinto atolada na lama, a qual jurei, sem credibilidade, em meu pleno castelo de autoafirmação, numa juventude isenta de medo e repleta de planos, mergulhar.

Nessa batalha diária por um lugar ao sol, o que conseguem os incríveis guerreiros da moeda é continuar perto do chão. Pois, apenas não mais basta labutar por vitória, tem-se que confrontar com indivíduos demais que, desesperados pela luminosidade ao final do túnel imundo e fétido, atropelam quem a escada ao alto está a escalar.

Inocentemente, os homens ainda pensam padecer nas nuvens após conseguir pagar todas as contas daquele mês. Adormecerá cantarolando e abrirá os olhos de um novo amanhã debaixo de uma tempestade.

Vestir-se pela manhã gelada de invernos brancos para subir e descer degraus nas ruas, batendo ombros com outros malandros; tropeçando e caindo e levantando para sobreviver do jeito que der ou puder. Desmoralizados e já por si desculpados pelo almejo do empurrão ao mais próximo. A cada queda, difícil se ter compaixão por alguém a não ser de si mesmo. Ignorando e negando, calado, a mentira de assumir falsamente que apiedar-se de si é a coisa mais terrível que existe. Pois quem sente o que sente quando vê-se rastejando à humilhação, sabe que não existe coisa pior do que lamber o sentimento da pena. Tanto, que outros, todos, se apequenam a ele – o sentimento da autopiedade.

É triste o quanto o dinheiro é importante para os homens. Capaz de causar os piores e mais baixos atos e sentimentos. Que fazem matar, roubar, mentir, enganar, tudo por ele... que cria vida toda vez que atormenta uma alma.

O mundo da sobrevivência é cheio de esperanças de sorte. E alguns experimentam beiras de abismos por nela crer – a sorte; raros beijam a face da alegria completa - efêmera.

Existem os que conseguem manterem-se submersos num furioso mar de ‘afogandos’ e afogados. Remando com suas mãos suadas e gananciosas. Burra, toda ela, rendida a uma maquinaria de sofrimento que favorece alguns poucos e esmigalha virtudes riquíssimas e nobres.

Burros? Diriam que não todos aqueles soberbos acerca de suas façanhas. Talvez noites em claro, agonizando em cefaléia ou cólicas de diarréia, travados em uma cadeira dura, sem fraquejar. Construindo, assim, seus palacetes merecedores de seus donos. À contrapartida, tantos quantos o mesmo fazem, e nem sequer vislumbram a ponta do paraíso. Chamaríamos isso de quê? Quer saber... Não importa!

Amanhã os guerreiros da moeda vestir-se-ão para a peleja, com arma ou sem arma punhada.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Me perguntam por que sou vegetariana. E ainda fazem cara de espanto às minhas explicações.

Me perguntam por que sou VEGANA. E ainda fazem cara de que não entendem quando explico.

Sou VEGANA porque repudio todo e qualquer tipo de mal a qualquer espécie, racional ou não, ou com outro tipo de raciocínio, coisas as quais não saibamos.

É isso, nós, SERES HUMANOS, não sabemos e entendemos de TUDO.

A imagem e a música falam tudo o que sinto.

Sinara Dutra