terça-feira, 19 de maio de 2009

Música de Yann Tiersen "La Valse d'Amelie" com o texto "Saudade" de Simone Dutra.





Saudade

Nas manhãs, ruas e parques sem flores,
Tudo comum... vês o comum esbrasear
Olhos costumeiros de paisagens frias
É o comum dos olhos que não aprendem a viajar.
Ao entardecer, somente os passos ligeiros
Histórias velhas e cansadas de quem não pode se dar ao luxo de mais
Eu procuro o que perdi,
Mesmo sabendo que além do vento que faz estradas nas estradas que percorri
Nada dos teus olhos hoje hei de vir...
Então estas mesmas ruas se enchem de tudo que não faz sentido
As lojas vendem produtos supérfluos demais
Capazes se tornam todos de me fazer acordar
Longe dos sonhos loucos e fugazes onde tua fachada sedutora se foi sem pressa de voltar.
Incinerastes também me são as lembranças, por fim
Já me faço saudosa das dunas
Aquela casinha simples de praia
Uma rua de pescadores pobres da riqueza que é tão rica por aqui.
Outonos exibem-se com charmosas folhas a cair
Pessoas se apaixonam sem se beijarem ou consentir
Meu corpo é cansado da dor que sinto sem pedir
Anseio pelas mãos do tempo que toca profundo
Muda os rostos ao sorrir
Abranda o vento, alegra as aves por aí.
Esse oco tem nome grande, de borboleta azul
E é sorriso de criança na minha inocência
Malícia inócua em chafariz.
Dor que dói em felicidade
Saudade por que foi bom, não mera saudade
Saudade do tempo, daquele dia
Das palavras, fotografias abstratas,
Tua beleza... tudo enfim.


Simone Dutra

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Poema de dois

Uma pessoa,
Duas pessoas.
Um lugar,
O paraíso.
Um paraíso,
Nadar nua.
Muito.
Água profunda.
Solidão?
Talvez...
É uma ilha com saudade de barco.
Desejo,
Um porto, sonhando ser mar
... navegar...
É uma boca com sede.
Lucidez,
Uma ponte imóvel...
...infeliz...
É um acesso de loucura ao contrário.
Uma ironia do diabo...
... debochado!
Olhe!
Prefiro sentir...
Paixão,
Imensidão... podridão...
Saciável.
Excitação,
Egoísmo em passos largos... pés descalços...
... corpulenta navegação...
Excitação, quando os beijos estão desatinados pra saírem de sua boca depressa.
Culpa.
... Excitação é um barco à deriva, rumo à infinita imensidão...
Amor,
Cuspe puro de dor, sujo de flor, feio, sem pudor...
Amor é janela batendo com o vento num temporal de verão...
Todo se emociona pra falar de amor...
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não! Amor é um exagero... também não. É um desadoro... Uma batelada? Um exame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez por que não tivesse sentido, talvez por que não houvesse explicação, esse negócio de amor não sei explicar...
Amor é maré com raiva, de ondas iradas...
Amor é enxame de abelhas... é picada que mata... é corpo mutilado...
Da mesma maneira que o amor é doce, ele ensina a ser frio, ensina a perder.
Voo livre... sem pretensão...
Aprendiz de lição...
Não apaga nenhuma palavra...
Não paga nenhuma palavra?
Apaga os sinais?
Frio, não?
O amor não apaga nenhuma palavra, ficam todas guardadas.
Palavras frias guardadas num peito quente e terno...
Palavras doces e meigas guardadas em um peito frio e nada terno.


Sinara Dutra e Ângela Tagliapietra

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A capa e o texto


Esta semana vi, como milhares e milhares de pessoas no mundo todo, um vídeo que encantou e espantou e certamente envergonhou muita gente.
O caso é simples: uma mulher chega num palco com grandessíssima plateia e um juri de dar medo.
Ela não é bonita, nem jeitosa, jovem e nem se veste como uma primeira-dama. Mas tem algo a contar.
À sua frente, centenas de pessoas riem de sua aparência e principalmente de seu sonho, que unanimamente, soava como uma pretensão desprovida de lógica. Piada, gostosamente curtida e gozada.
Prestem a atenção nas pessoas antes dela "dizer" o que quer e precisa e no depois.
Fascinante.
Perfeito aprendizado. http://www.youtube.com/watch?v=Z2NbcTD_u0k&feature=related

Vale a pena ver.

Sinara Dutra

terça-feira, 12 de maio de 2009


Momentos

Sorrisos que nunca sumirão. Se perderão no tempo do espaço. Juntamente com os momentos felizes que gozamos um dia em nossas vidas.

Numa tarde qualquer, de um dia qualquer, nos relembraremos de momentos como este e sorriremos sozinhos, num riso saudoso e nostálgico. Triste por saber que aquela noite está muito longe de nós.

E que as madrugadas podem ser longas quando estamos sós. Mas ironicamente curtas quando cercados de quem gostamos.

E pensando nisso, após um momento de maturidade e aceitação, sorriremos, agora, um sorriso de ternura pela vida e compreensão, imaculado, recheado de saudade de quem ao nosso lado estava e que deixou sua risada gravada em cada célula de nossos corpos.

Abaixo, deixo uma música que me toca demais. Em especial, para Fernanda (Faísca), Angel (Espoleta) e Simone (garçonete).

Sinara Dutra


quinta-feira, 7 de maio de 2009




Estupidez

Estupidez, não...
Talvez outra palavra...
Qual será?
Será só uma? Duas? Frases bonitas, rimadas, ou sensacionalistas?
Ah, tanto faz.
Será palavra sobre palavra.
As pessoas se renovam em roupas infantis, chorando por comida.
Chega a ser uma ironia.
Agora as palavras começam a surgir em minha mente.
E sentimentos brotam em minha alma.
De meus olhos lágrimas.
De minha boca palavras mudas falam sobre o que não tem explicação.
Expressões que dizem uma história difícil de crer.
Quase impossível de aceitar.
É horrendo porém simples, tanto e tanto, que dá nó.
Um aperto no peito e uma falta de ar.
Sim, é tudo muito simples.
A história não tem protagonistas bonitos, tampouco gente sorrindo.
É sem cor. Sem som. Sem graça.
Cheira mal e não tem fala.
Gemidos se espalham e o espelho do desatino enxaguam as terras escuras do cenário.
De amor se entende pouco. Mas se entende, se comprime e oprime em ações pueris e selvagens.
Flores ali não existem. Apenas varais resistindo a vendavais e cicatrizes caladas em carcaças mutiladas pela vida e pela miséria humana.
Sinara Dutra

Queria

Ter um beijo que tivesse o dom de curar qualquer coisa, desde leves machucados até as angústias dos peitos mais doloridos.
Ser dotada de poderes para mudar a realidade que não aceito e não posso modificar.
Ter noções básicas de enfermagem e fosse catedrática em medicina da alma. Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e colocasse bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada. Mãos que soubessem acarinhar, mas que fossem firmes para transmitir segurança aos amigos de passos vacilantes.
Mãos que soubessem transformar um pedaço de tecido quase insignificante numa roupa especial para quem sente frio.
Por ser 'humana', deveria ser dotada de muitos pares de olhos.
Um par para ver através de portas fechadas, através de paredes, distâncias, cortinas, obstáculos, aqueles que amo.
Outro par para ver o que não deveria, o que não queria, mas que preciso saber e olhos normais para fitar com doçura uma criatura em apuros e lhe dizer: "eu te compreendo, não tenhas medo. Eu te amo", mesmo sem dizer nenhuma palavra.
Um modelo delicado mas resistente, capaz de resistir ao vendaval da adversidade e proteger os fracos, de superar a própria enfermidade em benefício dos meus amados e de alimentar uma família com o pão do amor.
Alguém com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor, mas ainda assim insistir para que o outro parta em busca do que lhe constitua a felicidade ou signifique seu progresso maior. Alguém com lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão.
Alguém de lábios ternos que soubesse cantar canções para acalmar, animar e palavras certas para alguém arrependido pelas tolices feitas.
Lábios que soubessem falar de alegrias, do universo e do amor. Que cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da vida.
Alguém diferente da imagem que vejo no espelho fiel do retrato que sou e represento na vida.
Alguém melhor.
Alguém que apenas não lamentasse.
Alguém que não fizesse, por algum ato besta, direto ou indiretamente, mal a alguém e que protegesse a todos que sentem dor e estão abandonados.
Dizer-lhes que me importo com suas dores, mas que minha fraqueza me proibe de lhes salvar do mal que eu almejo não mais ver em mim.
Sinara Dutra

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Música para reflexão
Apresento esta música, deste grande artista, Yann Tiersen, para quem não conhece. Suas melodias fazem emocionar, refletir, viajar. Abaixo, vídeo de La Valse des Monstres. E texto de
Ângela Tagliapietra.
Ninguém
Olhava o mar incansavelmente e tu não deixavas continuar.
Pensamento indo além da linha do horizonte.
Doce melodia do mar.
Calor que me desperta vontade de estar à beira mar.
Dentro da água para minha solidão apagar.
Risadas para acalmar minha mágoa.
Bebida para curar minha revolta, resgatar meu humor, animar minha desgraça.
Olhar-me nos olhos por quê?
Não me desperte só para você.
Despertar minhas fantasias por quê?
Gostas de me ver sofrer?
Resgate-me para você!
Meu desejo de beijar tua boca disparava...
Estar perto ou longe, sempre esta vacila me amofina.
Aliviado!
Livre!
Cansado!
Mergulhado em um mar de emoções.
Atirado para qualquer gesto.
Face preparada para qualquer reação inesperada.
Não posso mais sentir tua mão pequena e delicada.
Furor marcado.
Coração dilacerado por navalhas.
Saudade tão boa e pra sempre vai durar.
Ângela Tagliapietra

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Viajantes do Porvir

Quem nunca viajou sentado em sua cama numa tarde qualquer? Quem nunca fechou os olhos e imaginavelmente se autotransportou para outro local de sua escolha? Quem jamais provou um sabor em sonhos antes nunca sentido de fato? Quem nunca foi um dia, ao menos, o herói que sempre almelou ser? Aquele que, ainda criança, imaginou se tornar?
Heróis não existem. Paraíso não existe. Príncipes e fadas não são concretos. São ilusões gostosas. Casas com varanda, um jardim, com cachorro correndo e crianças brincando são utopias.
Conhecer o mundo, respirar outros ares, ver outras faces, mergulhar em outros mares. Pôr a mochila nas costas e apenas saborear a delícia de descobrir outras culturas e criaturas. Tão difícil acharmos o tempo e todo o resto de que precisamos para fazermos isso.
Adultos crescem e arrancam as cabeças de suas bonecas tão amadas outrora; adultos crescem e quebram seus bonecos de heróis de plástico. Armam-se para guerra diária; trabalham para sobreviverem; não sonham mais - não conseguem mais nem ao menos a ilusão de um amanhã mais colorido e parecido com aquele que via quando criança.
Mas há aqueles que, não por uma ação deliberada, continuam em um mundo avesso àquele que todos querem lhe mostrar que é preciso ser visto e vivido.
Prendem seus corpos em seus quartos escuros, mas não aprisionam suas mentes a quatro paredes. Viajam mesmo. A mente, a alma, o coração. Voam para águas mais límpidas; praias mais desertas; paisagens mais belas; roteiros mais emocionantes; criam seres mais interessantes; um mundo de brinquedos falantes, onde tudo é arte e música, não há opressão nem censuras, apenas o livre arbítrio de navegar em sensações que os deixam estasiados de tanto prazer, mental e corporal.
E uma vez visitando lugares que servem de refúgios para suas almas desgostosas de um desenho desanimado real, viajam durante momentos em que precisam pular de um mundo a outro, em segundos, como estratégia de sobrevivência.
Os sonhadores de olhos atentos viajam o mundo em suas varinhas mágicas invisíveis. Para sererem mais felizes.

Para Ângela Tagliapietra, a viajandona.


Sinara Dutra

quarta-feira, 22 de abril de 2009


Teatro Mágico
Reticências
Quanta mudança alcança
O nosso ser posso ser assim daqui a pouco não
Quanta mudança alcança
O nosso ser posso ser assim daqui a pouco
Se agregar não é segregar
Se agora for, foi-se a hora
Dispensar não é não pensar
Se saciou foi-se em bora
Quanta mudança alcança
O nosso ser posso ser assim daqui a pouco não
Quanta mudança alcança
O nosso ser posso ser assim daqui a pouco
Se lembrar não é celebrar...
Dura é a dor quando aflora
Esquecer não é perdoar
Se consagrou sangra agora
Quanta mudança alcança
O nosso ser posso ser assim daqui a pouco não
Quanta mudança alcança
O nosso ser posso ser assim
Tempo de dá colo, tempo de decolar
Tempo de dá colo, tempo de decolar
O que há é o que é e o que será
Tempo de dá colo, tempo de decolar
Tempo de dá colo, tempo de decolar
O que há é o que é e o que será
Reciclar a palavra, o telhado e o porão...
Reinventar tantas outras notas musicais...
Escrever o pretexto, o prefácio e o refrão...
Ser essência... muito mais...
Ser essência... muito mais...
A porta aberta, o porto acaso, o caos, o cais...
Se lembrar de celebrar muito mais...
Se lembrar de celebrar muito mais...
Se lembrar de celebrar muito mais...
Tá certo que o nosso mal jeito foi
Vital pra dispensar o nosso bom
O nosso som pausou
E por tanta exposiçao a disposiçao cansou
Secou da fonte da paciencia
E nossa excelencia ficou la fora
Soluçao é a solidão de nós
Deixa eu me livrar das minhas marcas
Deixa eu me lembrar de criar asas
Deixa que esse veraão eu faço só
Deixa que esse verão eu faço só
Deixa que nesse verão eu faço sol
Só me resta agora acreditar
Que esse encontro que se deu
Não nos traduziu o melhor
A conta da saudade quem é que paga
Já que estamos brigados de nada
Já que estamos fincados em dor
Lembra o que valeu a pena
Foi nossa cena nao ter pressa pra passar
Lembra o que valeu a pena
Foi nossa cena nao ter pressa pra passar
Cabô...
Esses caras valem a pena serem vistos e ouvidos. Sua musicalidade e arte e expressão corporal são um verdadeiro espetáculo.

sexta-feira, 17 de abril de 2009


Vida tragicômica


Complicado entender quando essa vida confusa e maluca nos manda um recado através situações nas quais nos encontramos por completo despreparados.

Parece que ela goza de nós. Que ri, que gargalheia. E aí a desgraça parece cômica. A vida, tragicômica. Isso é realmente engraçado.

As pessoas, as mais sérias, comedidas, elas vivem suas vidas inteiras falando em seriedade, censurando as maluquices, as coisas que fogem dos padrões, e isso é um tanto estranho.

Pois a vida é engraçada e maluca. E cá estamos nós, como insetos, parasitas que aqui nos instalamos e nos reproduzimos.

Mas a vida é maluca e por que não podemos ser também? Coisa mais besta, tentar fugir de nosso destino.

Não existe o enlouquecer, já nascemos loucos, porque a vida é louca e por isso o mundo é louco.

Quando dizemos que alguém enlouqueceu, perdeu os sentidos da realidade, ou da consciência, este apenas perdeu os padrões que impunhamos num mundinho inventado por nós e não aquele que nós mesmos carregamos em nossa semente desde quando nascemos. Alguns de nós nos camuflamos, e vivemos uma vida fingida, cínica, e infeliz.

A maioria deixa sua vida louca mostrar a face em alguns determinados momentos, quando se é permitido ser, que não o deixe a imagem de degenerado, impuro ou fútil.

Mas uma pequena parte solta seus músculos e se mostra para o mundo caótico e louco como a vida nos fez e é.

Além de nossas mentes, que carregam uma bagagem de toneladas de ideiais confusas, prolixas e desnexas, temos de lidar com o turbilhão de setimentos difusos do nosso campo emocional.

É muita coisa para um ser só.

Mas o mais trágico, ou o mais cômigo, são as nossas atitudes bobas e maléficas para nós mesmos.

Nos atingimos o tempo todo, e não vemos o que está bem a nossa frente - o nosso bem.

Quero dizer, além de cairmos aqui sem sequer desejarmos, em uma vida que nem sempre escolhemos e colhermos nem sempre aquilo que plantamos, inventamos mais coisas para que tudo fique ainda mais caótico e mórbido.

Mas não somos só nós os tolos.

Os sentimentos são tolos.

Nos fazem babacas, bobos.

Com medo, sem a nossa razão.

Com alegria eufórica, que nos deixa desligados e toscos, cafonas e idiotas.

Amando, desconcentrados, felizes, excitados, tristes, ameaçados, desconfiados e burros.

Vivendo, seresmos assim, todos nós, sem destinção de cor, classe social, sexo, ideais, tamanhos. Somos todos razões e sentimentos, com uma linha tenra de meio termo. Pois estamos vivendo. Não sendo assim apenas não mais aqui vivo, sentindo o pulsar de nossos corações que nunca param de trabalhar.

Somos assim, seres platônicos, egoístas, egocêntricos, sentimentais, recheados de ira, inveja, raiva. E seremos assim mesmo sem querermos.

Do contrário, botaremos uma armadura psíquica em nós e nos fecharemos para o mundo. O benéfico, o maléfico. O gostoso e o dolorido. O risco, a aventura. As dores que nos ensinam a sobreviver e a encontrarmos nossa paz.

A vida está aberta. Nós estamos vivos. A vida é um risco. Portanto estamos sob risco.

Não adianta tentarmos fugir da vida. Nosso destino.

O que é de nossa semente, carregamos conosco, para onde formos.

Fugir não é auspicioso.




Sinara Dutra


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Palhaços tristes

Num mundo onde tudo era sério, as pessoas comedidas, em tons de cinza e preto, músicas tristes melancólicas, como as de Maísa, de repente num abrir os olhos para nossa realidade, vemos um colorido que fala por si; uma liberdade que é reparada em cada fala, em cada jesto, em cada olhar.
As músicas falam de sexo, de festas, de alegria. Não existe mais o amor platônico de antigamente, mas as vinganças, consequências de traições amorosas. O próprio amor já não existe mais. Aquele amor que carregava consigo um respeito que desprendia-se de um desejo.
Progredimos em alguns aspectos e regredimos ou pioramos em outros. De fato, estamos aprendendo a andar sozinhos, com nossas próprias pernas. Cada um com seu estilo, cada um com a sua banda. É cada um na sua e deixem pra lá o cada um dos outros, como fala a gíria popular.
Nas outras épocas, a 'coisa pública' não era menos ilícita, apenas menos sabida.
Em algum tempo valioso, derrubamos presidente. Nós, o povo.
Voltando mais no tempo, e muitas vitórias de hoje começaram pelos pequenos e corajosos passos de alguns que deram sua face ao tapa, sem titubear.
E em pleno século XXI, o que de tudo vale, o que de tudo se vê e ouve, o povo ainda se prende a pequenos costumes e caretices que até os antepassados nossos ririam hoje.
Não damos mais pequenos passos para longas caminhadas futuras, como assim fizeram os jovens de outrora; não derrubamos mais presidentes, por mais podres que sejam; nem temos mais a elegância de um tempo que era, sim, em tons de cinza e preto, com canções melodiosas que falavam de amor, o amor verdadeiro, com respeito, cafona e pudico. Nosso mundo é outro.
E que pena não poder ter podido brincar na rua até o anoitecer.
Dormir com a janela aberta, para sentir o vento da madrugada ou olhar a lua cheia até o sono chegar.
Morar numa casa sem grades, sem cadeados; com um jardim cheio de flores e plantas frutíferas.
Respirar o ar puro dos jardins que hoje viraram prédios arranha-céus.
Curtir os Carnavais de antigamente, como minha mãe sempre me narra, com bastante entusiasmo e saudosismo.
As varandas... ah, as varandas...! Existiam varandas enormes nas casas. E todos sentavam ali, e conheciam seus vizinhos, e se cumprimentavam sentados em suas cadeiras de balanço.
Sou de uma geração covarde, medrosa. Destruidora, metida, vaidosa demasiado e ignorante.
Adolescentes bobos com seus narizes de palhaços invisíveis.
Não protestam, não reclamam o que é de seu direito.
Preferem pichar as praças, queimar as matas, se aglomerarem em becos escuros para descontarem em seus corpos e mentes as dores de uma alma sem forças para mudar o que não aceitam.
É mais fácil apagar a luz do que ver o tamanho da merda.
Sinara Dutra

sexta-feira, 3 de abril de 2009


Depoimento de uma, ainda, sobrevivente:


Podem ter certeza, mais do que quase ninguém, também sei como é estar (ou viver?) numa pilha. Sempre esbagaçada... com a cabeça dolorida de tanto pensar nas merdas da vida... eu chego em casa do trabalho e da aula, com a cabeça podre... e apago, simplesmente.


Às vezes, tenho a nítida sensação de que a minha cabeça É podre. Não serve para nada. Inútil.


Sinto-me a legítima "Sofrenilda" - quando consigo vislumbrar um tempinho legal, uma semaninha que "promete" um encontrinho "libertador" com os amigos, acaba sempre havendo um grandessíssimo complô universal arranjando tudo para que não aconteça o tal momento libertador.


Então, eu continuo mais uma semana frustrada, cansada, fodida, esbagaçada, confusa, perdida, angustiada, toda tensa e covarde, mas, sei lá o porquê, com uma maldita e filha da puta esperança de ainda conseguir fazer alguma coisa.


Também me sinto humilhada... e burra... e feia...
Meus colegas são todos inteligentíssimos, verdadeiros gênios, que lêem uma vez um texto de alta complexidade e já saem debatendo... e eu fico me perguntando: "como é que eles entenderam isso????
E como tem mulher bonita em Porto Alegre, né??! Que desgraça! Se eu tivesse nascido no RJ, seria bem mais vantajoso.
E mais: além de ter que acordar todo dia às 6h15min da porra da manhã (manhã...???? Madrugada!), ter que almoçar como um estivador que não almoça há um mês, chegar na aula bufando (e quase regurgitando), passar quase 3 horas por dia no ônibus, ganhar 300 pilas por mês (o que a gente faz com 300 merrécas???), ainda por cima tenho que ouvir de mané playboy que eu "não me dedico mais ao curso porque não quero”.


Ah... sem falar nas constantes dores de barriga e flatulências indesejáveis e extremamente desconfortáveis.


Alguém.

Olha a evolução do homem aí!



Esse é o futuro mais positivo de muitos (meu). Ai... ai... ai...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Loucura: apenas uma questão de ponto de vista!
Mas, para aqueles que 'ainda' pensam que não, 'tentem' ao menos entender(-nos, los):
Hino dos Malucos
Nós, os malucos, vamos lutar
Pra nesse estado continuar
Nunca sensatos nem condizentes
Mas parecemos supercontentes
Nossos neurônios são esquisitos
Por isso estamos sempre aflitos
Vamos incertos
Pelo caminho
Nos comportando estranhos no ninho
Quando a solução se encontra, um maluco é do contra
Mas se vai por lado errado, um maluco vai do lado
Malucos, a nossa vida é dar bandeira
ligando a luz da cabeceira, se a água pinga na torneira
Malucos, a nossa luta é abstrata
já que afundamos a fragata,
mas temos medo de barata
Nós, os malucos, temos um lema
Tudo na vida é um problema
Mas nunca tente nos acalmar
Pois um maluco pode surtar
Os nossos planos são absurdos
Tipo gritar no ouvido dos surdos
Mas todo mundo que é genial
Nunca é descrito como normal
Quando o papo se esgota, um maluco é poliglota
Mas se todo mundo grita, um maluco se irrita
Malucos, somos iguais a diferença
e todos temos uma crença:
seguir a lei, jamais compensa
Malucos, somos a mola desse mundo,
mas nunca iremos muito a fundo
nesse dilema tão profundo
Malucos, a nossa vida é dar bandeira,
ligando a luz da cabeceira,se a água pinga na torneira
Malucos, a nossa luta é abstrata,
já que afundamos a fragata,
mas temos medo de barata!


Os mais malucos: Rita Lee/ Fernanda Young / Alexandre Machado/ Roberto de Carvalho

Vamos brincar!
Nós, seres humanos, adoramos brincar. Realidade. Ponto.
Pouco importa qual o jogo, disputa - quando rola uma besteróide "estamos dentro". Creio que quem lê isto agora é adulto, vivido, e muito já brincou na vida. Se sim, parabéns!
O bom de brincar com adultos é que não prcisamos medir as palavras nem censurar as brincadeiras, porque adoramos (homens e mulheres de todas as idades) uma chacota, jogo ou palhaçada (ahá, não adianta mais esconder, o mundo já descobriu que serás "criança para sempre", hehe) e vais querer fazer parte desta diversão. Não tem jeito...
A brincadeira é assim: Vais pegar uma refeição apetitosa, com ingrediente principal um cadáver de porco (ou porquinho, se tiveres intimidade com o defunto), mas se não tiver, pode ser uma costelinha no forno, picanha, coraçãozinho ou coxinha de galinha, guisadinho, bifinho mal passado 'sanguentinho' etc) e vais deixar ao lado do computador, prontinho e cheiroso.
Eis as regras da brincadeira:

1)Vais resistir à refeição e nada comerá até as próximas instruções do jogo;

2)Vais assistir ao vídeo abaixo, todinho, sem tapar os olhos quando achar a cena muito 'forte';

3)Depois, vais desligar o seu computador e comer todo a refeição, começando pelo porco ou a carne segunda opção ou de sua preferência.

Boa diversão!

Obs: Não vale regurgitar.

terça-feira, 31 de março de 2009


O que somos nós afinal?

Quem/quê somos nós? Nós quem/quê? Homens, seres humanos, animais humanos? Sei lá...
Temos, quase todos, duas pernas, dois braços, pés, mãos, cabeça, tronco ao centro de tudo isso, e todo o resto.
Vivemos em lugares diferentes, formamos nações, linguagens, costumes, que se tornam tradições; leis, conceitos de certo, errado, permitido, não-permitido, aceitável, não-aceitável, feio, bonito, censurado, aplaudível, inconcebível!
Usamos de nossa consciência de realidade que nos dá o privilégio de dizermos que "pensamos".
E uma vez que temos a capacidade de "pensarmos", somos melhores que outras espécies, que não "pensam" e nada ajudam para a construção de um "mundo melhor", com prédios acizentados e envidraçados para homens engravatados usarem suas facetas para mascarar o roubo do dinheiro que a tanta gente mata por sua falta. Mas, como dizia o super-homem, ou seu avô, uma vez com capacidades a mais, mais responsabilidades... se tem.
Se gozamos de um privilégio de pensarmos, não deveríamos pensar? Raciocinar? Refletir? Julgar? Ter o senso do direito, legal, correto?
Reconheço que certo, que correto, são questões subjetivas, cada uma tem a sua, porém o direito à vida, à liberdade, deveriam ser questões de consenso entre todos os "racionais". Não?
O massacre que está acontecendo no Canadá não apavora nem choca ninguém. O mundo já está de pernas arregaçadas para o ar há muito tempo.
São mortes e mortes todos os dias.
Gente matando para comer. Gente matando por matar. Gente matando por prazer. Gente matando para viver!
Mas mais este capítulo enojante de homens usando de sua covardia para apauletarem inocentes animais focas a sangue frio, nos dá uma amolecida nas pernas em meio a uma caminhada cansativa e sem fim.
Falo em nome de todos os que juntamente comigo ou aqueles que compartilham e lutam pelos mesmos objetivos que eu: o direito à vida e à liberdade de todos os seres vivos.
Tenho (tento ter) certeza de que qualquer pessoa que assistir aos vídeos que o Peta e tantos meios de comunicação estão exibindo da violenta estupidez lícita contra a vida de milhares de focas no Canadá irá ficar como estou neste momento: enojada, enjoada, em protesto e luto por todos os animais que são mortos diariamente para o prazer, alimentação, vestimenta, esporte ou até mesmo pela falta do que fazer de humanos.
Duvido alguém assistir aos vídeos de abate de porcos, bois, vacas e etc e ainda sentar na mesa minutos depois e se deliciar sem esquecer que aquele alimento carrega em si um sofrimento sem explicação.
Assim, fico sob protesto e luto eterno por todos os animais que já morreram pelas mãos ignorantes dos homens que se dizem superiores por terem a capacidade de pensarem mesmo sem nunca o fazerem.


Sinara Dutra

segunda-feira, 30 de março de 2009

Mente aberta, ABERTA quanto?



Quando se fala em preconceitos nos dias atuais, é perigoso não "correr" para logo dar a sua posição sobre o assunto: Não! Não tenho preconceito algum! O mais engraçado (ou triste) é que no fundo, as pessoas nem sempre sabem o que esta palavra significa. Que pena.
Preconceito, sem olhar no dicionário Aurélio, é quando atitudes, pensamentos, sentimentos, figuras etc, são consideradas ruins, erradas ou feias e assim seres são excluídas do convívio natural, "normal, julgadas no mau sentido apenas por não serem consideradas corretas no senso comum, implicando numa marginalização impiedosa e cruel de quem não compartilha das mesmas opiniões. Perigoso não é correr para se defender sem mesmo ter sido atacado e dizer-se não preconceituoso, mas achar que as massas têm razão em suas palavras, em seus conceitos por quórum ou a força ecoante de um coro colossal.
Ter a mente aberta para o mundo, para a força dos sentimentos; a riqueza de nossas ideias inovatórias, da gana impáfia da quebra dos velhos laços e muros que separam os que se repreendem e os que se libertam para novas experiências, sejam elas quais forem, sem mau algum fazer a outrem, é ter a consciência da valiosa importância de estarmos vivos para gozarmos de nosso prazeres mais instintivos e intensos.

Sinara Dutra

Liberdade! Um conceito, um estado de espírito ou utopia?


A liberdade é algo que está, antes de tudo, dentro de nós. Do contrário, se ela não morar dentro de nossa mente, repousar em nosso peito e acalentar a nossa alma, poderemos procurá-la pelo mundo inteiro, e mesmo assim nos sentiremos presos a algo, alguém, pensamentos, sentimentos, lembranças, dias, horas, nomes, dores...
A liberdade é o sentimento mais importante para um indivíduo, criatura, humana, animal, seja lá o que for.
Quando nos sentimos livres, é como se a vida, as pessoas, o mundo conspirasse para tua felicidade. Como se o peso das coisas fossem fáceis de suportar sobre nossas costas; como se as dores e as incertezas amenizassem-se por uma tranquilidade indizível.
Liberdade = felicidade?
Liberdade = conceito de indivíduo que vai aonde bem entender, sem a ninguém obedecer?
Liberdade = um estado de espírito, que ora vem, ora vai, dependendo de como te sentes ao despertar?
Liberdade é uma condição de vida. Implica em nossas ideias, filosofias, atitudes, na forma como nos relacionamos com as pessoas, os bichos, natureza, e consigo mesmo.
É o pulo pro alto, no nada, é o grito preso na garganta, é o correr a esmo, é obedecer a seus instintos, é o sentir-se forte, invencível, inatingível, poderoso, sabedor de suas vontades, dono do seu tempo e do seu gozo.
Mas a vida não é um passeio pelo parque, morangos na sexta de piquenique, toalha xadrez, maças caindo aos pés da mecieira, pássaros cantando, a grama aconchegando nosso corpo cansado e o ar mais puro para nosso respirar.
A vida é a venda do nosso curtíssimo e mal aproveitado tempo para ganharmos o dinheiro para sobrevivermos.
É a dor que lateja nas noites em que nos encontramos sozinhos; quando a dor só a nós pertence. Quando temos que suportar a alma expremida e comprimida tamanha nossa angústia.
É a solidão, o abandono, a falta de liberdade, do ir, do vir, do ser feliz.
Erramos, roubamos, matamos e prendemos nossos corpos e almas para sempre, figurado e literalmente.
Abrimos mão de nosso livre arbítrio, o livre andar dos nossos corpos para onde quisermos ir, andar a esmo, só por fazer, só por ir. E perdemos, se não o mais importante de tudo, o quase -que dá vazão a todos os nossos males.
Nascemos sós, morerremos sós. Nascemos livres, e nem sempre somos, porém nascemos para assim sermos, TODOS NÓS.
O aprisionamento de quaisquer sentimentos, pensamentos ou ações de nossos "eus" é inadmissível e imperdoável.
Que o mundo e tudo que nele habita seja livre da forma mais intensa possível.
Liberdade de expressão; liberdade sexual; liberdade do seu ser; liberdade para ser quem quiser ser.
Liberdade não é conceito, nem estado, nem utopia, é direito e razão da exitência de qualquer ser que exista.


Sinara Dutra



Sentimentos... livres de preconceitos...


Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…

Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”

Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, vivo de rastros:“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

(Mandado por Fernanda Chaves)


Florbela Espanca - Livro de Soror Saudade